A Classe C também consome…e muito!

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Banner no celular. Via Google
28 de abril de 2008
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Wal-Mart anuncia entrada no mercado on-line do Brasil
30 de abril de 2008
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Amigos.

Quem trabalha com marketing, sabe que toda a empresa tem em seu público-alvo preferido classe AB 25+, afinal, são as pessoas com alto poder de compra que residem no Brasil, porém, nem 10% da população se encaixa nessa classe social. O Brasil é um país dominado pela classe C, onde quase 65% da população está.

Com o efeito Casas Bahia (como gosto de chamar) onde você pode comprar tudo em 10X sem juros no carnê ou cartão (e não é só na Casas Bahia que isso ocorre não…) a população agora tem mais poder de compra, afinal, pagar uma TV de plasma R$ 2.000,00 a vista é praticamente impossível, por ser praticamente a renda mensal da família, mas 10x de R$ 200,00 cabe no orçamento.

Assim, e com a guerra tecnológica que faz com que as empresas estejam sempre inovando e com isso os preços de seus produtos vai caindo (lança uma novidade, o produto do mês passado tem o preço reduzido) a classe C está aspirando novidades, está querendo mais. E nesse caso, querer é poder.

Até na web, que antes era algo restrito a classes AB, que tinham computadores em suas casas com banda larga, a classe C – e a D também – estão aderindo ao carnê, comprando computadores em 24X de R$ 60,00 e pagando R$ 40,00 por mês de banda larga. Ou em muitos casos, as Lan Houses – que a cada dia crescem mais – estão faturando alto graças a classes CD que querem estar na Web.

Agora é abrir os olhos, sair da miopia e ver que a classe C, consome – e muito, e que principalmente, SIM ela está na WEB!!!


Classe C compra cada vez mais pela internet

Eles estão chegando e invadindo o varejo virtual, espaço até então dominado pelos consumidores endinheirados. A entrada da classe C, na avaliação de varejistas e indústrias de consumo, irá mudar a cara da internet, a começar pelo mix de produtos e de valor gasto nas compras virtuais.

De acordo com pesquisa realizada pela e-Bit, a classe C, cuja renda familiar é de R$ 1 mil a R$ 3 mil, foi responsável por 35% das aquisições no varejo on-line em dezembro. Esse consumidor está desembolsando em média R$ 205 em cada compra – um tíquete 57% inferior ao valor que os clientes das classes A e B costumam gastar nos sites, em torno de R$ 322. Mas esse movimento está sendo compensado pelo maior volume de vendas. No ano passado, o e-commerce no Brasil cresceu 43%, atingindo um faturamento de R$ 6,3 bilhões.

Outro levantamento, da consultoria TGI, abrangendo um período mais longo, mostra que os internautas da classe C, que em 2000 respondiam por só 4,2% do e-commerce, já chegaram a 10,3% em 2007. Dados do varejo também confirmam a expansão do segmento. Na pontocom do hipermercado Extra, que recebe 2,8 milhões de visitantes por mês, a classe C já representa 20% da freguesia.

Com mais dinheiro no bolso e maior familiaridade com o computador, a população de classe C está consumindo mais de tudo. Na internet, o grande atrativo tem sido os prazos de financiamento – hoje todos os sites parcelam no cartão em, no mínimo, 12 vezes – e o frete grátis.

Após vender milhares de PCs no ano passado, Caio Mattar, vice-presidente do Grupo Pão de Açúcar e responsável pela pontocom do Extra, afirma que uma boa parte desses novos usuários transformaram-se ou virão a ser clientes virtuais da varejista.

Mas, diferentemente das classes A e B, que costumam fazer suas compras de casa, a população de menor renda tem encontrado outras formas de ir às compras, principalmente porque muitos não podem assinar o serviço de banda larga. Uma ampla pesquisa realizada pela agência de publicidade McCann Erickson em conjunto com o instituto de pesquisa Data Popular sobre os hábitos de consumo da classe C revela que 45% já consumiram pela internet da própria casa; mas 39% já compraram pela internet no trabalho; 30% disseram já ter usado os computadores de amigos e parentes e 18% consomem em lan houses. “A falta de banda larga em casa pode tornar a experiência de compra na rede ruim, por isso muitos procuram as lan houses ou os PCs do trabalho”, diz Aloízio Pinto, vice-presidente de planejamento da agência.

“Só na favela de Heliópolis (na Zona Sul de São Paulo) existem mais de 30 lan houses”, diz Paulo Queiróz, vice-presidente de planejamento da agência de publicidade DM9DDB. O escritório também é um bom lugar para fazer compras on-line. Os horários de maior movimento na pontocom da Lojas MM, uma rede popular de móveis do Paraná, ocorrem durante o tempo livre dos funcionários no trabalho. “Os dois picos de venda da loja são das 11h30 às 14h e das 16h30 às 18h30”, diz Sandro Alves, gerente de marketing, de mídia e internet da Loja MM.com.

“Para quem não tem banda larga, a facilidade de navegação do site é ainda mais fundamental”, afirma Mattar, do Extra, cujo desenvolvimento do site se preocupa com o acesso de consumidores de internet discada.

Além de usar a internet de uma forma diferente da classe A e B, a classe C também consome outros produtos. Os celulares estão entre os seis principais itens adquiridos em lojas virtuais pelas famílias com renda mensal de até R$ 3 mil, mas o produto não está entre as preferências dos internautas mais abastados. Eles, por sua vez, costumam comprar eletrodomésticos nos sites, um artigo que não é uma prioridade na lista de compras da classe C, segundo o e-Bit (ver mais no quadro ao lado).

Para ambos os públicos, no entanto, a web oferece uma grande vantagem: o anonimato. “Um cliente da classe C pode sentir-se constrangido de entrar em uma loja mais sofisticada. Isso não existe na internet, onde ele pode olhar tudo”, diz Francisco Donato, gerente de e-commerce do Magazine Luiza, rede de eletroeletrônicos com sede em Franca (SP). “O mesmo vale para os clientes das classes A e B, que poderiam sentir-se constrangidos ao freqüentar uma loja popular. Este público adora comprar produtos mais em conta na internet”, diz Mattar.

Apesar das taxas de crescimento, a renda e o acesso à internet ainda são barreiras para um avanço maior das classes de menor poder aquisitivo no consumo on-line. Outro empecilho para atingir esse consumidor é cultural. “Ainda existe muita insegurança na compra pela web”, diz Julia Fregona, coordenadora do núcleo Baixa Renda da Ponto de Criação, agência de comunicação e negócios de marca. “Muitos não entendem quais as vantagens de comprar pela rede e ainda sentem a necessidade de conversar com o vendedor e ter o carnê em mãos, para se certificarem que o negócio foi efetuado.”

Pois é, como disse no começo o efeito Casas Bahia ajudou a população de baixa renda a consumir mais. O que é bom para todos. E que eles ajudem a impulsionar a web no Brasil!! Os publicitários interativos agradecem!!

Abraços

Felipe Morais
Felipe Morais
Publicitário, apaixonado por planejamento digital. Começou a carreira, em 2001, atuando como redator publicitário, passando, em 2003 para a área de planejamento digital, onde atua até hoje, sendo reconhecido como um dos grandes nomes do mercado no Brasil.

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