Rede social é plataforma. Não é estratégia

Amigos.


Eu já escrevi algo parecido, mas vale reforçar, pois ainda vejo isso como um dos grandes erros da condução do marketing digital nas empresas. Estamos, de fato, construindo a história, bem recente por sinal, dessa nova forma de comunicação no país. Se com 50/60 anos o marketing no Brasil ainda é algo novo para muitos, o que dirá o digital, por isso, toda a história tem muitas opiniões, formas de pensar e é a soma de tudo isso que vai construir um caminho, que nem sempre será o único. Respeito e admiro demais Philip Kotler, mas tem muitos que adotam o marketing de uma forma diferente a que ele prega. Ele, na minha opinião, é o mais correto na condução e grande nome, mas não tem a verdade absoluta. Se ele não tem, o que dirá esse humilde profissional de planejamento digital? Mas um blog, tem por característica, ser um espaço para a opinião do blogueiro, no caso, eu, por isso, passo aqui todas as minhas ideias e visões da comunicação digital, que pode hoje ser uma, amanhã outra. Se tudo evolui, a opinião precisa acompanhar o que acontece no mundo.

Por exemplo, eu já entendi que um conjunto de ações no Facebook, por exemplo, era uma estratégia e já defendi isso. Hoje eu penso que o Facebook, ou qualquer que seja a Rede Social, ele é uma plataforma e não uma estratégia. Existe uma diferente que vai além da conceitual e acadêmica, que aliás, ter referência acadêmica não é demérito nenhum para você. Leia LIVROS!

Walter Susini, no evento de 16/11 do Grupo de Planejamento, afirmou que devemos ser mais táticos e menos estratégicos, que as estratégias já foram todas feitas e pensadas, o que concordo, mas a execução essa é a diferença. Certa vez, conheci o CEO de um famoso grupo de empresas. Ele disse ao meu ex-chefe, e seu amigo pessoal, que ele poderia dizer a qualquer hora o seu segredo do sucesso. Meu ex-chefe disse que ele era louco e ele disse que o problema não era saber fazer, mas fazer como ele. Fato!

Diante disso que ainda afirmo que a grande estratégia é entender a cabeça das pessoas. Estou lendo o livro do Marcelo Tripoli, Meaningfull Marketing, onde ele mostra que o marketing precisa ser mais verdadeiro e transparente e que só se consegue isso quando se entende o que as pessoas realmente querem. Eu, particularmente, tenho defendido demais que a grande estratégia é entender a cabeça das pessoas e porque elas compram na sua marca ou loja. Tenho feitas muitas pesquisas de campo para entender isso. Entendeu isso, sabe porque as pessoas compram, o que elas querem e como a marca precisa se comportar? Legal, agooooora, vai para o Facebook. O Facebook tem que ser o final da estratégia e não o começo. Vamos mudar o jogo, vamos entender as redes como canais e não como estratégias, pois essas estão cada vez mais superficiais, e por que? Porque são feitas dentro das agências e não ouvindo pessoas. E ouvir pessoas não é comprar Marplan, TGI ou ver o Google/Facebook Analytics. É conversar com as pessoas, pois a vida, meus amigos, acontece fora das agências.

Livro (Versões físicas e e-book) PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DIGITAL

Abraços
Felipe Morais
@plannerfelipe
facebook.com/plannerfelipe

O perfil do profissional de planejamento – Braincast 171

Amigos.

Tive a oportunidade de ouvir o Braincast 171 onde o grande Ken Fujioka e Zé Pedro falaram sobre o perfil do profissional de planejamento no geral. Não com foco no on ou off, mas no perfil da pessoa que pensa a estratégia para as marcas dentro das agências, bem, na verdade, no final você verá que nem apenas em agências nós estamos…

O perfil do profissional de planejamento
Braincast 171 com Ken Fujioka (Lodduca) e Zé Pedro (F/Nazca)
·       A agência não muda porque quer. Muda porque precisa
·       Planejamento precisa ter opinião das coisas
·       O papel do planejamento é desenvolver pensamentos
·       Saber o que está acontecendo no mundo
·       Curar opiniões. Pensamento não nasce na cabeça do planejamento
o   Ele ouve, sintetiza e dá opinião sobre o assunto
·       Definição clara do problema a ser resolvido
o   A solução é a agência que dá, o planejamento levanta o problema
·       E se o produto não existisse mais, o que aconteceria com as pessoas? Essa é uma pergunta básica a ser feita pelos planejadores
·       O que traz insight ainda é falar com as pessoas
·       A internet é uma falsa ilusão de que você está em contato com o mundo
·       As vezes as coisas acontecem em micro regiões, mesmo que no YouTube ou Facebook. Há os nichos, sempre haverão nichos
·       Precisa sair da bolha da web ou da agência, precisa ir para a rua. Sair da sala de reunião, as coisas não acontecem apenas lá. Elas acontecem na rua
·       Ir para a rua é importante, mas com um propósito bem definido, mas nas agências ainda é difícil essa cultura
o   Está ficando muito fácil definir o perfil do público-alvo com análise nas Redes Sociais, mas a essência do planejamento é ouvir as pessoas e não tentar decifrar quem elas são por que curtem uma página
o   O planejamento tem que tirar a bunda da cadeira
o   Existem ferramentas de pesquisa mais sofisticadas
o   Netnografia não é perguntar. É observar
·       Planejamento não tem preconceito.
o   Ouvir mais
o   Entender a vida das pessoas
o   Entender o que acontece na cidade e o que muda a vida das pessoas
·       Bons planejadores tem uma visão. Pesquisam e mudam essa visão. Precisam viver o dia a dia ou não vão saber o que acontece lá fora
·       O único jeito de vivenciar é estar no meio
·       Clientes anseiam por um pensamento estratégico
o   Buscam o raciocínio da agência
o   Precisam saber qual é o problema
·       Planejamento entrega o abstrato
o   Conceito
o   Opinião
o   Caminhos
§  O grande problema é que nem sempre isso tem o valor merecido
·       O planejamento é troca de informações entre pessoas
o   Grandes ideias vem dessa troca
o   Empatia
o   Saber montar times internos
o   Não dita regras
o   Conversa, ouve, analisa e ajuda na ideia
·       Planejador é curioso por natureza
·       É preciso ter o interesse em se aprofundar mais
o   Se interessar por todos os assuntos
·       Dados quantitativos é matéria prima básica para o planejamento
·       Planejamento precisa saber questionar dados e fatos
·       Olhar bem crítico sobre o que está acontecendo
·       Mercado de agências hoje está fadado a morrer
o   Um grande anunciante mundial fez uma pesquisa com todos os seus departamentos de marketing no mundo, onde a pergunta era qual o fornecedor eles gostariam de ter ao seu lado. No Top10 não saiu nenhuma agência
·       Nunca se teve tanta oportunidade para o planejamento no Brasil. Há profissionais de planejamento em veículos, consultorias, anunciantes, fornecedores de tecnologia e varejo

·       Agências agenciam pessoas e talentos


Abraços
Felipe Morais
@plannerfelipe
facebook.com/plannerfelipe

Charlie Chaplin. O primeiro planejador

Amigos

Um dos maiores nomes do cinema mundial, o homem que quebrou paradigmas, promoveu a ruptura, criou um movimento. Fez pessoas saírem do tradicional e experimentar algo novo. Por volta de 1915, sem nem imaginar que um ia um “tal computador” seria capaz de efeitos especiais incríveis, usou uma linguagem com muitos efeitos visuais, o que era possível para a época. Sem som, sem fala, com diálogos curtos, rápidos e engraçados. Criou um mundo de fantasias, não vendeu um produto – filme – vendeu um sonho para as pessoas, um sonho onde as pessoas pudessem, por um curto período de tempo, se desligar do mundo real e sonhar. Foi um homem multimídia na sua época: ator, diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante, dançarino, roteirista e músico. Permeou por diversas áreas de conhecimento. Experimentou, viveu, trouxe experiências de vida para a sua comunicação com as pessoas: planejador, isso lhe parece familiar?
Chaplin inovou. Criou empatia. Fez com que as pessoas comprassem seu sonho. Ele trouxe para o mundo o entretenimento. Não criou o cinema, mas o fez melhor. O Brasil também não inventou o futebol, mas teve Pelé. Nos profissionais de planejamento não criamos a comunicação ou marcas. Apenas a melhoramos. E como? Pesquisa e entendimento de pessoas. Tal qual, Charlie fez, inclusive ele diz isso em uma famosa frase – que aliás a uso nas aulas de Planejamento – “mesmo sem saber muito sobre cinema, eu sabia muito sobre seres humanos” e por isso, contou, da sua forma, histórias memoráveis, que hoje, em 2015, ainda lembramos e ainda assistimos seus filmes, que se tornaram clássicos. Charlie morreu em 1977 e como Elvis, John Lennon ou Freddie Mercury (entre outros) fez um trabalho tão memorável que sua obra ainda encanta pessoas. Em época de Avatar, Transformers e Matrix – carregados de efeitos especiais – Charlie ainda nos emociona com seus filmes de 1915… exatos 100 anos!
Então vejamos. Mais do que qualquer outra coisa, Chaplin se interessava por conhecer pessoas. Ele queria saber o seu dia a dia, sabia que esse conhecimento traria a empatia, aliás, empatia é a palavra-chave para ligar a marca ao consumidor. E o que planejamento faz mesmo? Liga a marca ao consumidor! Chaplin entendeu o cenário que as pessoas viviam. Fazia pesquisas constantes, entendia a vida das pessoas, o cenário que ela estava inserida e contava uma história, vendia um sonho. Julio Ribeiro, mestre do planejamento, nos ensina que profissionais de planejamento são excelentes contadores de história, no final, o que nós fazemos, é contar história. Em meu recente livro (Planejamento Estratégico Digital, Ed. Saraiva) eu falo muito de Storytelling, não porque é um dos conceitos da moda no mundo digital, mas porque é isso que planejadores fazem: contam histórias!
Charlie, acima de tudo, era um apaixonado por um sonho, uma ideia. Você é apaixonado pela marca que trabalha ou ideia para resolver um problema de marca? Se sim, parabéns, você é um excelente planejador, senão, fica a dica: busque o que lhe dá prazer. Ulisses Zamboni, outro grande nome do planejamento, nos ensina que planejadores com vidas comuns, entregam resultados comuns. Viva. Se você vai viver, que seja vivendo com algo que lhe dá prazer. O melhor dos mundos não é trabalhar. É se divertir e ganhar dinheiro com isso. Charlie fez isso muito bem, por mais de 70 anos. Sem viver a marca, como você pode criar empatia entre marca e pessoas se você mesmo não tem essa empatia. Esse era o segredo de Chaplin, entender pessoas, entender cenários e criar uma comunicação que cria-se uma empatia entre a sua mensagem e as pessoas que a recebiam. Lhe parece familiar esse conceito, caro amigo(a) planejador(a)?
Charlie não escreveu histórias para ele. Escreveu para pessoas. Vamos forçar esse conceito, entendeu pessoas e depois fez uma ação. Seja no cinema, uma campanha ou um projeto digital, o foco tem que ser pessoas. Entender o que as pessoas querem e lhes oferecer isso, de uma outra forma, com outra roupagem. Planejar não é vender um carro para o consumidor, é vender um sonho de consumo para ele que pode ser o carro como elemento tangível, mas o que as pessoas compraram foi o sonho de ter o carro. O termo “consumer center” não tem que ficar no discurso das marcas. Tem que ser seu dia a dia. Charlie, em 1915, mostrou isso.

Enfim, muito antes de Jon Steel criar o conceito de planejamento, Charlie Chaplin, de maneira simples, entendeu pessoas e criou histórias memoráveis. Sem dúvida, Charlie, foi primeiro grande planejador da história mundial.

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