
Tendência para 2026 é posicionar sua marca
10 de dezembro de 2025A alma humana, você e o universo de Jung foi a exposição do fim do ano do Museu da Imagem e Som, o MIS em São Paulo. Como um profundo estudioso de comportamento humano, e fã do tema arquétipos, não pude deixar de prestigiar esse exposição. Fui nas minhas férias, fui em um momento de mente em paz e sozinho, afinal, esse é um tema complexo e com a necessidade de um profundo entendimento, entendimento esse, que vou passar nesse artigo e depois, sem dúvida, vai virar pauta para o PodPlanejar Branding, meu Podcast onde falo sobre marketing, inovação, branding, planejamento, pesquisas, cases e claro, muito comportamento.
Quem foi Jung?
Carl Gustav Jung, que foi um psiquiatra e psicoterapeuta suíço, fundador da psicologia analítica; foi ele quem desenvolveu conceitos muito revolucionários para a época, como o Inconsciente Coletivo, Arquétipos, introversão/extroversão e sincronicidade, explorando o simbolismo, mitos e espiritualidade para entender a psique humana, influenciando profundamente a psicologia, filosofia e cultura moderna; uma das teorias pela qual Jung é mais reconhecido é a teoria do inconsciente coletivo, que segundo ele, “o inconsciente coletivo não deve sua existência a experiências pessoais; ele não é adquirido individualmente”.
O que você verá aqui, é um resumo e minha visão da exposição A alma humana, você e o universo de Jung, do MIS.
Sintomas


Logo no começo da exposição, já mostra um estudo de Jung sobre os sintomas, que para ele, seja físico, emocional, comportamental, ambiental ou social, é tudo baseado inconscientemente para realização de ser notado pela sociedade, o que a pirâmide de Maslow aponta também, no fundo, as pessoas querem se sentir valorizadas e quanto mais as marcas entenderem isso, melhor para elas.
Alergia, ansiedade, consumismo, depressão, fome, prisão, queimadas, traição, vícios, são alguns dos sintomas que Jung levanta como algo intrínseco do ser humano, ou seja, é algo que estamos diante o tempo todo, mas como reagimos à eles? Os sintomas nem sempre são os melhores, e nem sempre os piores, é fato que vivemos uma montanha russa de emoções, onde cada dia passamos por várias.
Paul Ekman, um psicólogo pioneiro no estudo das emoções e suas expressões faciais, que identificou seis emoções básicas universais: alegria, tristeza, raiva, medo, nojo e surpresa. Sua aplicabilidade pode ser conferida nos filmes Divertidamente 1 e 2, onde mostra a importância dos sintomas na vida humana. Filme pode parecer para criança, mas se você trabalha com comportamento humano, deixe esse preconceito de lado e apenas assista!
Segundo a exposição – A alma humana, você e o universo de Jung – o inconsciente coletivo é baseado em histórias “um poço sem fim de histórias, símbolos e significados inatos que contém toda a existência, de todas as vidas, em todos os tempos. Para Jung, o ser humano já nasce cheio de conteúdos inconscientes, coletivos e familiares”; agora traga isso para o dia a dia das marcas.
Posicionamento de marca

Branding é o diferencial da sua empresa
O conceito de Storytelling é defendido por muitos como a principal estratégia de marketing, entretanto é a mais antiga de todas, uma vez que os homens das cavernas já contavam suas batalhas nas paredes das cavernas. Quando trazemos isso para o campo do marketing, entendemos que as pessoas querem, cada vez mais, autenticidade, inovação e personalização.
Jung defende que o ser humano nasce carregado de histórias, e isso é um fato. O marketing, através do Storytelling, é a arte de contar histórias. Entender comportamento humano, para mim, é sempre o ponto mais importante da estratégia de marketing. Soma-se tudo em um pensamento estratégico e com isso crie um posicionamento.
A fórmula parece simples, mas a sua execução nem tanto. Posicionamento de marca – e esse tema será muito abordado por mim em 2026 – é um grande diferencial para a sua empresa, ela coloca a sua empresa em outro patamar, isso é fato! Portanto, conhecer mais sobre o comportamento humano é essencial, e com isso, entender mais a visão de Jung se faz importante, como uma – e não única – forma de entender a cabeça das pessoas e aplicar isso ao marketing.
Inconsciente
Se pudéssemos resumir em uma palavra o que Jung nos traz de conhecimento, seria inconsciente sem a menor dúvida, para ele, o inconsciente pessoal é uma camada mais superficial pois lá é onde os conteúdos podem ser esquecidos.
Na exposição A alma humana, você e o universo de Jung, conta que esse seu pensamento sobre o inconsciente é o que levou ele a se afastar de seu mestre, Freud, onde trabalharam por 5 anos juntos tentando entender a mente humana; seus estudos guiam, até hoje, o que conhecemos sobre o tema, a grande diferença é que Jung acreditava que o inconsciente era a origem de tudo, até mesmo da consciência, Freud já defendia que o inconsciente era apenas um repositório que não sustenta a consciência, entretanto, Jung defendeu a sua tese até o fim da vida.
Já vi pessoas dizendo que as teorias de Jung tem mais valor que a de seu mestre, sinceramente, não vejo assim, mas eu tendo a ser mais time Jung do que Freud.
Arquétipos
Por ser um entusiasta do tema, Arquétipos, o qual esse ano vem uma boa novidade por ai ao lado do meu amigo Alê Cesário, opto pelos estudo de Jung, como disse acima. Na exposição A alma humana, você e o universo de Jung, há a definição do tema, apontando como algo que vive no inconsciente coletivo.
Para Jung, “os arquétipos ficam no mundo das ideias e podem ser comparados a instintos, as imagens arquetípicas são a forma como os arquétipos se manifestam na vida”, e aqui temos um ponto importante, que resgata de algo falado acima: posicionamento de marca. O mundo das ideias nada mais é que o mundo que a comunicação e marketing vive, certo? Vai aqui mais uma pulga atrás da sua orelha: como alinhar a criatividade ao comportamento humano?
A Havaianas fez isso muito bem por anos – até resolver lacrar com política – trazendo “as legítimas”e depois um posicionamento simples, mas poderoso “todo mundo usa”. A Apple criou a campanha com muitas personalidades que mudaram o mundo, a BomBril teve por anos o Carlinhos Moreno e fez uma das mais icônicas campanhas da história da publicidade mundial. Ou seja, é possível!
Arquétipos, segundo a exposição A alma humana, você e o universo de Jung estão muito ligados aos mitos, no sentido de serem manifestações que ocorrem de diferentes maneiras, enfrentado, cada pessoa interpreta o mito de uma forma, mesmo que eles estejam presentes no inconsciente coletivo como Deuses de civilizações ao redor do planeta.
Ego: a estrutura da nossa consciência
Deve ser flexível para mediar conteúdos inconscientes e conscientes. Quem estudou publicidade, marketing ou comunicação no começo da carreira, certamente ouviu os termos Ego, SuperEgo e ID, que por definição “são as três estruturas da personalidade na teoria freudiana: o Id busca prazer imediato (instintos), o Ego é o mediador racional com a realidade, e o Superego representa a moralidade e os ideais sociais, controlando o Ego e o Id para que o comportamento seja “correto”. O conflito entre essas três forças molda o comportamento humano, com o Ego tentando equilibrar os impulsos do Id com as restrições do Superego e do mundo real.
Segundo Jung, “sem o Ego, os conteúdos inconscientes vazam sem mediação, chegam ao nosso cérebro sem filtro, o que pode provocar mudanças no cérebro que podem chegar esquizofrenia”, o que mostra a importância de se estudar bem o cérebro humano. Neuromarketing e Neurociência são temas que nós, estrategistas de marca, devemos entender ao máximo. Não somos da área da saúde, mas temos hoje muitos conteúdos sobre esses temas que nos ajudam a compreender como usar tudo isso a favor do marketing, e quando digo marketing, estou indo muito além do post do Instagram que muitos acham ser o máximo que se chega para fazer marketing digital.
A alma humana, você e o universo de Jung
Foi uma experiência interessante, me fez estudar um pouco mais desse universo e até rever alguns conceitos que eu tinha sobre Jung, dentre anos e mais anos de estudo sobre o que ele contribuiu para a sociedade; Jung foi importante para que várias áreas pudessem estudar o comportamento humano e aplicar esses estudos em seus campos, a medicina, o marketing, o varejo, a moda, tudo “bebe” da fonte de Jung, mas claro, não só dele.
Interessante estudar comportamento humano para que nós, estrategistas de marca possamos entender para onde guiar nossas marcas; Jaime Troiano diz que não se pode construir uma estratégia sem colocar as marcas no centro do tabuleiro, e eu, respeitosamente discordo um pouco mestre, incluindo seres humanos no mesmo patamar de importância de marcas.
Para posicionar uma marca, você precisa ter em mente que não é o(a) CEO da empresa que decide, não é o time de marketing e muito menos o de vendas, esses apenas dão o direcionamento, a decisão é sempre das pessoas, afinal, empresas produzem para vender para pessoas, sem conhecer isso, como diz Simon Sinek, você não vai entender absolutamente nada.



