Aumento do investimento no digital

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Aumento do investimento no digital, será mesmo que isso é verdade? Uma recente matéria do Meio e Mensagem, um dos mais importantes jornais do mercado publicitário, mostrou que uma Pesquisa do IAB-Brasil e Nielsen aponta maior interesse do mercado pelo meio após as transformações aceleradas pela pandemia. Para o levantamento foram entrevistados cerca de 167 profissionais de anunciantes, agências, adtechs, veículos e outras empresas do segmento, sendo que 52% dos respondentes ocupam cargos de gestão.

Esse interesse das marcas no aumento do investimento digital passa pela conclusão do estudo de que “a aceleração do comportamento digital das pessoas e do uso do meio para atividades de consumo, educação e entretenimento, por exemplo, leva o mercado publicitário a querer ampliar os investimentos nesse meio neste ano”. De fato nós sabemos disso, mas desculpem a franqueza, eu sou totalmente cético a isso, pois no mercado publicitário, ainda mais no digital, a garganta é grande, além disso, se perguntar para 10 profissionais da área o que é digital, 9 dirão mídia. A visão míope é impressionante!

Mídia, mídia e mais mídia

Eu vou lendo a matéria, postando e comentando. Não demorou muito para a minha teoria acima citada se mostrasse na pesquisa, para “63% dos entrevistados que efetuam compra de mídia declaram que investem mais da metade das verbas para os meios digitais. Entre esse grupo, 20% afirmou que destina ao digital 80% de todo seu budget”, novamente resumimos em mídia todo o potencial do digital. Será que vão falar de Transformação Digital, ou o aumento do investimento no digital se resume a Google, impulsionar Facebook e influenciadores?

A sequencia da pesquisa mostra que “em relação aos formatos digitais, as principais apostas de investimentos em publicidade em 2021 são vídeo, social media e search (sendo cada um deles citado por 27% dos entrevistados; streamings, áudios e podcasts (lembrados por 23%), seguido de native advertising e display (18% cada); OTT e TV conectada (13%) e e-mail (5%)”. De novo, mídia atrás de mídia.

Aumento do investimento no digital

Eu fico me perguntando, o quanto dessa verba vai para planejamento, pesquisa, conteúdo, CRM, Social Listening… é acho que você percebeu o mesmo que eu, praticamente nada, nem é citado, mas é fácil entender, o cliente precisa vender, as agências são compradoras de mídia criativas, pouco – ou quase nada estratégicas – que tem em seus quadros criativos, profissionais de mídia e atendimento. Planejamento? Ah sim, tem o cara que faz o PPT que senta lá no fundo….

Você pode achar que eu falo isso para defender a classe de planejamento, tem razão, mas você já percebeu que as empresas estão contratando gerentes e diretores de marketing com conhecimento em SEO, Google, Mídia Programática e tudo o que envolve mídia e mais mídia. Participei de alguns papos, e acredite, tem empresa, e não é pequena, querendo diretor de marketing para executar campanha. Mas nunca vi um diretor de marketing sendo contratado para comprar GRP na Globo. Estranho isso?

Pouco importa se você é estratégico, o que importa é sair fazendo o hoje e dane-se o amanhã.
Aumento do investimento no digital? Não duvido, mas se isso for resumir digital em mídia, que é o que o mercado faz com maestria!

RD vendida!

Vamos a um case que ocorreu recentemente no Brasil, uma empresa, que não é de mídia, a RD Station, vendeu 92% da sua empresa por R$ 1,861 bilhão, para a gigante Totvs desenvolvedora de softwares de gestão. Tecnologia aplicada ao marketing e não só mídia! “A soma da competência e modelo de negócio 100% digital da RD Station com a robustez das operações e portfólio da Totvs representa a aceleração do crescimento exponencial dos negócios e aumento da capacidade de entrega, atendimento, inovação e agilidade no desenvolvimento de produtos”, disse a empresa em comunicado, cadê a ferramenta de fazer post em Facebook? E a lista de influenciadores? Ou cadê a lista de palavras-chave do Google? Ah tá, estamos aqui falando de tecnologia, né?

Felipe Morais
Felipe Morais
Publicitário, apaixonado por planejamento digital. Começou a carreira, em 2001, atuando como redator publicitário, passando, em 2003 para a área de planejamento digital, onde atua até hoje, sendo reconhecido como um dos grandes nomes do mercado no Brasil.

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