Criptomoedas começam a ser aceitas no varejo

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Criptomoedas começam a ser aceitas no varejo e é esse o tema desse artigo, onde vou falar do case da Gucci como pano de fundo para essa inovação, que o varejo começa a testar agora, mas que com absoluta certeza em breve estará disponível em qualquer lugar que você deseje fazer uma compra, até na feira ao lado da sua casa.

Depois de algum tempo de sucesso das criptomoedas, capitaneadas pelo Bitcoin, o varejo começa a entender  que esse tipo de pagamento é interessante para aumentar as suas vendas diárias, afinal, milhares de pessoas pelo mundo já estão operando com as criptomoedas para diversas operações. Por que não para comprar produtos no varejo?

Aiia criptomoedaVender um produto e receber em criptomoeda pode ter uma vantagem que é na valorização da mesma. Por exemplo, você pode comprar um tênis usando a AIIA (criptomoeda da Predict Vision) e pagar 100 AIIAs para a loja, pois naquele dia, o valor do tênis na moeda local, era o equivalente a 100 AIIAs. A loja recebeu esse valor, porém no dia seguinte, a AIIA valorizou e com isso, o tênis poderia ser vendido por 90 AIIAs. A loja ganhou 10 AIIAs. Pode parecer algo pequeno, mas imagina que a loja tenha vendido 10 tênis naquele dia, ou seja, ela ganhou 100 AIIAs do dia para a noite.

No mês são 3 mil AIIAs a mais, na média, isso pode representar um aumento de lucro muito alto, é como se fossem vendidos 30 tênis a mais no mês, Isso faz uma enorme diferença para qualquer tipo de varejo, pois essa loja de exemplo, pode ser uma pequena loja de rua, mas se ela for uma rede de lojas espalhadas pelo país com mais de 100 lojas físicas? Já pensou no lucro que o CFO irá ver a mais na sua contabilidade o quão feliz ele não ficará?

Entretanto há o risco também. O tênis no dia seguinte pode estar valendo 110 AIIAs e com isso a loja teve um prejuízo que, se tivesse vendido na moeda local, não teria, porém, o mercado de criptomoedas é de risco, assim como ações na bolsa, onde milhares ganham e perdem todos os dias.

Gucci digital

O exemplo acima foi dado apenas como introdução a um movimento no mercado de luxo, onde a Gucci, uma das 10 maiores e mais valiosas marcas de luxo do mundo, anunciou que vai aceitar as criptomoedas como pagamento, nas lojas, de seus produtos de alto valor agregado. Uma simples camiseta da Gucci, em seu e-commerce oficial, nos EUA sai por U$ 650,00, ou seja, seus consumidores são pessoas de muito bom gosto e alto poder aquisitivo.

Como efeito de comparação uma camiseta da Champion, na Amazon dos EUA, custa U$ 14,84 e ambos os produtos são camisetas simples com uma estampa colorida na frente, Visualmente, são parecidas, mas claro que a Gucci tem um valor agregado, principalmente de marca, que a Champion não tem.

A Gucci está presente em locais dos mais badalados do mundo, com lojas próprias na Rodeo Drive em Los Angeles e Wooster Street em Nova York, dois dos pontos mais cobiçados do planeta quando o assunto é moda de alto luxo.

Esses endereços por hora, são os que vão aceitar o pagamento em criptomoedas das suas compras. Os clientes que pagarem em lojas com criptomoedas receberão um e-mail com um código QR para usar com uma carteira de ativos digitais.

A marca disse que planeja introduzir a política em todas as lojas norte-americanas que opera diretamente em um futuro próximo. O anúncio de uma marca tão importante marca mais um passo à frente para a aceitação de criptomoedas pelas principais empresas.

Criptomoedas começam a ser aceitas no varejo

Importante ressaltar que a Gucci não é a pioneira nesse assunto, por isso não está sozinha. Algumas das maiores marcas do mundo agora aceitam moedas digitais, incluindo a gigante de tecnologia Microsoft, a empresa de telecomunicações americana AT&T e a rede de café Starbucks. No ano passado, o Bitcoin também se tornou moeda legal em dois países – El Salvador e República Centro-Africana.

Metaverso. Tendência ou realidadeA entrada da Gucci no mercado de criptomoedas não é uma novidade dentro da empresa, uma vez que ela está se preparando para isso há algum tempo. O Metaverso, uma plataforma onde as criptomoedas deverão ter um enorme impulso já é um terreno onde a Gucci tem se dado bem, tendo uma bolsa vendida para um avatar por 4,5 mil dólares.

Gucci já deu passos importantes em direção ao mundo cripto e de games em blockchain, com uma equipe específica para iniciativas com foco em Web 3.0 – como é conhecido do Metaverso – e já teve mais de 19 milhões de visitantes em Gucci Garden, seu jogo no metaverso Roblox.

A grife também criou diversas “skins”, que mudam a aparência de um avatar em games, como Animal Crossing e Pokémon Go, ou seja, entrar no universo das criptomoedas para a venda nas lojas físicas foi apenas mais um passo rumo  inovação.

Gift card amplia o mercado de criptomoedas

Os vale presentes, gift cards, não são nenhuma grande novidade no varejo. Nem sempre as pessoas sabem o que dar de presente, por isso, o varejo criou esse mecanismo onde uma pessoa presenteia a outra com um vale presente na loja que o presenteado gosta. Isso ajudou a impulsionar as vendas do varejo em geral. Quando o e-commerce estourou no mundo, esse recurso foi digitalizado e levado ao varejo online.

Empresas como McDonalds, Google Play, Carrefour e iFood já aderiram a esse movimento dos vale presentes, entretanto, agora as criptomoedas se tornam uma forma de pagar por esses vales, o que ajuda a expandir o universo das mesmas, ainda mais com empresas nativas digitais como é o iFood por exemplo. Nem sempre a loja vai aceitar a criptomoeda como pagamento, mas esse recurso ajuda as empresas a entrar nesse universo, mesmo que de uma forma indireta.

Criptomoedas podem trazer um ar inovador para a sua loja

A vantagem para o pagamento em criptomoedas é que em alguns casos existe incidência de IOF nas compras internacionais usando cartão de crédito, algo que com as criptomoedas não ocorre, outra vantagem é que esse imposto, que não é cobrado quando se paga o produto pelas moedas digitais pode ser revertido em desconto para o consumidor final, o que se torna uma vantagem competitiva para o varejo.

Imagine em um shopping. Uma pessoa quer comprar uma calça jeans. Na loja A, a calça custa 200 dólares, na outra, a loja B, custa 250 dólares. Aparentemente, as duas calças são iguais, o que muda é a marca. Na loja B aceita pagamento em criptomoedas, já na A não.

A percepção do consumidor, ainda mais os mais jovens, é de que a loja B, por aceitar o meio de pagamento digital, é mais moderna e antenada do que a marca A. Só nesse ponto, pagar 50 dólares a mais na calça já começa a fazer mais sentido, pois os amigos vão saber que ele comprou a calça na loja mais antenada.

Porém, a loja B decidiu que, quem pagar em criptomoedas terá um desconto de 10%, pois o IOF por exemplo, não será cobrado, logo, a calça sairá por 225 dólares. Se pagar 50 dólares a mais, por ser uma loja moderna e antenada, algo que os jovens valorizam demais, já não era um absurdo, ter o desconto fica ainda melhor.

O consumidor, no geral, quando recebe uma vantagem ele não pensa muito que a loja ao lado tem algo mais barato, eleEm terra de blind, quem tem um eye é king se sente especial pois a loja, no caso a B, lhe ofereceu uma vantagem, A compra é feita!

O momento da compra é algo que há muito é estudado por profissionais de marketing, antropologia, sociologia e psicologia, desenvolvendo teses e mais teses que, em alguns casos, se tornam livros best-sellers. Há muitos livros sobre comportamento pelo mundo com muitos estudos e teses, mas uma coisa, todos concordam: o consumidor muda constantemente.

A tecnologia chegou ao mundo para melhorar a vida das pessoas. Isso é um fato que não pode ser ignorado. O fato das pessoas poderem pagar seus produtos usando moedas virtuais pode ser um item diferencial para o varejo, e não precisa ser uma mega loja para ter essa forma de pagamento disponível, qualquer loja, de qualquer tamanho, de qualquer cidade do mundo pode aceitar as criptomoedas como pagamento, basta ter a iniciativa como a Gucci teve, por exemplo.

Metaverso é uma realidade

Não ache que o Metaverso é apenas uma brincadeira de criança. São essas “crianças” que estão mudando a vida dos pais. São eles, que cada dia mais antenados, estão decidindo onde viajar, morar, comer, o carro da família, a TV da sala ou o smartphone que os pais terão. São eles que estão de olho nas tendencias de consumo que os pais não tem tempo para ver.

São essas pessoas que estão desbravando o Metaverso, através de plataformas como Roblox, Fortnite, Minecraft entre outras. São eles que conhecem tudo e mais um pouco e que vão ditar o ritmo do Metaverso no futuro. Se a geração Z já não está mais interessada em comprar produtos no shopping, pois podem fazer tudo via seu smartphone, porque acreditar que as próximas gerações ainda usaram cartão de credito quando podem se sobressair na sua micro sociedade comprando com criptomoedas? Ah se pensar sobre isso…

Felipe Morais
Felipe Morais
Publicitário, apaixonado por planejamento digital. Começou a carreira, em 2001, atuando como redator publicitário, passando, em 2003 para a área de planejamento digital, onde atua até hoje, sendo reconhecido como um dos grandes nomes do mercado no Brasil.

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