ESG na agenda das empresas

Romeo Busarello
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ESG na agenda das empresas

ESG na agenda das empresas é um tema que vamos ouvir muito nos próximos meses. Uma matéria na revista Consumidor Moderno, de Outubro de 2021, traz um panorama do que é esse cenário para as marcas nos próximos anos. Li a reportagem, achei interessante e segue um resumo aqui. Para ler na íntegra, clique aqui, e leia a versão digital da revista.

Aos poucos, a agenda ESG é incorporada pelas empresas que transformam a concepção de produtos, geram engajamentos e criam padrões de comportamento com reflexos no consumidor e na sociedade. As empresas que investem ativamente em prol da humanidade e de soluções sustentáveis ao planeta não só são mais notáveis como também contribuem como um papel social importante e cobrado pelo consumidor nos últimos anos.

O “E” noESG

A importância hoje de encontrar for- mas mais sustentáveis é mais nítida e clara do que nunca: o planeta tem dado sinais de que não terá condições de oferecer tudo aquilo que consumimos. Embora cultivá-lo seja um dever de todos e todas, as empresas acabam tendo um papel ainda mais importante, uma vez que consomem muitos produtos limitados do planeta, da mesma forma como devolvem agentes tóxicos (o CO2 é um exemplo). Ao construirem versões mais ecológicas, as empresas se tornam verdadeiras agentes de transformação.

ESG está diretamente ligada à sobrevivência das corporações, que passaram a ser vistas não mais como apenas um dos ‘players’ de mercado, mas, sim, como responsáveis diretas pela construção de uma sociedade melhor, as marcas que aderirem estão mais propensas a ter melhores resultados nos próximos anos. ESG é a sigla em inglês para “environmental, social and governance” (ambiental, social e governança, em português)

Ainda que muita gente sempre destaque o uso de produtos químicos, o uso da água e a emissão de gases nocivos à atmosfera, a energia limpa também tem sido uma pauta de atenção.

ESG

O “S” no ESG

Para além de investir no ecossistema – o que de fato é importante –, ser um agente transformador envolve, por parte das empresas, ter ações voltadas para as pessoas: os principais responsáveis pela mudança verdadeira. Mudar a cultura é fundamental, portanto, para tornar as empresas não apenas transformadoras da sociedade, mas também intrinsicamente conectadas com o consumidor, o ESG é fundamental para a sobrevivência das empresas no futuro próximo.

As pessoas estão cada vez mais conscientes sobre o impacto das empresas no meio ambiente, a contribuição na sociedade e o quanto cada organização reflete sobre diversidade em sua estrutura. Todavia, mais importante do que divulgar as ações, que endereçam ESG aos colaboradores e ao mercado, é garantir que haja resultados consistentes, mensuráveis e que gerem impacto.

O “G” noESG

Menos nos holofotes, o G dentro do ESG é um dos menos comentados em toda a agenda. No entanto, trata-se também da parte mais importante: a Governança é a principal forma de colocar todos os objetivos em prática – financeiramente falando.

Afinal, para além de falar sobre as ações das empresas, é preciso mensurar o impacto que as mudanças têm representado ao planeta. a captação líquida dos fundos ligados ao ESG foi de R$ 107 milhões no fim de 2019 para R$ 4,43 bilhões no fim de 2020, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

É também a governança a responsável pela manutenção das ações de forma interna e externa. Mais do que promover soluções a determinados problemas socioambientais, por exemplo, é preciso garantir que o valor monetário investido neles possa ser revertido às áreas com melhor desenvolvimento.

Especificamente nessa parte mais financeira, os investimentos relacionados de alguma forma ao ESG são cada vez mais expressivos. Há, inclusive, um Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), criado em 2005 pela Bolsa de Valores Brasileira.

Ele é composto por 36 ações de 30 empresas sob a melhor performance de ESG. Em 2020, 37,62% de todo o valor acionário do Brasil estava englobado no ISE, de acordo com dados da B3. Dentro do ISE, as marcas que contribuem com ações são:

Banco do Brasil, Bradesco, BR Distribuidora, BRF, Braskem, B2W, CCR, Cielo, Cemig, Copel, Duratex, EcoRodovias, Eletrobras, Engie, Itaúsa, Itaú Unibanco, Klabin, Lojas Americanas, Movida, MRV, Natura, Santander, AES Tietê, Tim, Telefônica Brasil e WEG.

Em um pensamento mais voltado a nível mundial, os números surpreendem. Dados da Bloomberg mostram que hoje, o mercado de ESG está estimado em mais de US$ 30 trilhões, sendo 2020 um dos anos com maior cresci- mento, devido às ações e consequên- cias da pandemia.

Mas ainda que toda a população do planeta seja vacinada e que possamos, com esperança, vencer o vírus, os investimentos no ESG não serão reduzidos. A percepção de que a governança dentro das empresas precisa ser trabalhada para uma con- tribuição em prol do todo despertou e não irá reduzir nos próximos anos. Não à toa, a Bloomberg estima, para 2025, que o setor movimente US$ 53 trilhões.

Estamos vivenciando uma mudança significativa na percepção sobre o papel das empresas na sociedade, que se intensificou com o contexto de pandemia. Hoje, todos os stakeholders esperam e cobram uma postura positiva, seja em ações sociais, seja em linhas de negócio. Vivemos uma época de grandes transformações, e é natural que haja expectativa de que as empresas se transformem rapidamente.

ESG na agenda das empresas

Mondelz: Cocoa Life, que tem como objetivo criar comunidades agrícolas de cacau empodera- das e prósperas, por meio da capacitação dos agricultores com foco na sustentabilidade, no reflorestamento e na rentabilidade do cultivo, garantindo o futuro do chocolate. Atualmente, contamos com 800 produtores registrados, que, graças aos incentivos do programa, tiveram acesso a crédito financeiro por meio do PRONAF – Floresta para impulsionar os seus negócios.

Unilever: Futuro Limpo’, que teve investimento global de € 1 bilhão para promover o fim do uso de substâncias químicas derivadas de combustíveis fósseis até 2030. Estamos revisitando todo o nosso portfólio para oferecer ao consumidor produtos de limpeza e lavanderia sustentáveis e ao mesmo
tempo mais acessíveis. O ‘Futuro Limpo’ adota como estratégia os princípios da economia circular nas fórmulas e embalagens dos produtos para reduzira pegada de carbono.

Claro: Energia da Claro é considerado, segundo dados da ANEEL, o maior programa de geração de energia distribuída no Brasil. Atualmente, possui 53 usinas em operação, distribuídas por praticamente todos os Estados e grande presença em Minas Gerais e na região Nordeste. Além disso, as usinas abastecem 20 mil unidades consumidoras da Claro e já geram energia limpa equivalente ao consumo de 240 mil residências.

McDonald’s: Desde 2018, conta com um programa para redução de plásticos de um único uso, que já soma ações como a substituição das embalagens de plástico de saladas por outras fabricadas com papel cartonado certificado, redução do uso de tampas de plástico para bebidas e sobremesas, fim da entrega proativa de canudos.

McDonalds Brasil é o maior empregador jovem da América Latina e do Caribe: 68% dos funcionários são jovens de até 24 anos. No país, 70% têm menos de 24 anos e estão em sua primeira experiência profissional.

PepsiCoBrasil: além da contribuição ao planeta por meio da redução de plástico, foi necessário ter uma mudança interna para entender, de fato, quais são as necessidades sociais que podem ser atendidas pelas empresas. Na PepsiCo, a busca por equidade e diversidade está no centro de tudo oque fazemos, tanto dentro como fora da companhia. O que leva à transformação é a ação. Temos isso como premissa.

A equidade nos guia em metas robustas como, por exemplo, a de alcançar pelo menos 50% de mulheres e 30% de pessoas negras em cargos de liderança até 2025. Hoje, na PepsiCo Brasil, temos 19% de pessoas negras e 47% de mulheres em cargos de liderança.

O comitê executivo já temos 60% de mulheres, e foi essa a mudança necessária para que a transformação fosse de dentro para fora. Investimento de R$ 16,5 milhões nas comunidades brasileiras por meio de projetos de impacto social e ambiental pelos próximos dois anos, beneficiando mais de 2 milhões de pessoas. ação será dividida em três pilares: Prosperidade Econômica, Segurança Alimentar e Acesso à Água.

Para isso, a companhia firmou parceria com cerca de 20 organizações não governamentais com foco em fomentar o empreendedorismo de pessoas negras e de mulheres; formar jovens profissionais das periferias; ter iniciativas de preservação de recursos hídricos e de acesso à água em regiões de risco hídrico no Nordeste e, também, combater a fome e a desnutrição infantil”.

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Fonte: Revista Consumidor Moderno Outubro 2021

Felipe Morais
Felipe Morais
Publicitário, apaixonado por planejamento digital. Começou a carreira, em 2001, atuando como redator publicitário, passando, em 2003 para a área de planejamento digital, onde atua até hoje, sendo reconhecido como um dos grandes nomes do mercado no Brasil.

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