O dia em que Kotler morreu

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O dia em que Kotler morreu foi um post que escrevi depois de uma foto que publiquei em meu Facebook quando comprei o livro Marketing 4.0. Uma enxurrada de publicitário meia boca e suas asneiras. Leia mais!

Os especialistas em digital — e parafraseando João Dória “ah como amo os especialistas” — mataram o pai do marketing. Hoje tudo é só digital, logo o “tiozinho que escreveu aquele livro gigante que nunca ninguém leu, mas que o chato do professor da facul mandou comprar…” pode ser deixado de lado.

De fato, esse “tiozinho” com PhD no MIT, Pos Doutor em Harvard simplesmente escreveu um livro gigante. Consultoria para IBM, Michelin, General Motors e ser a 6a pessoa mais influente do mundo dos negócios, claramente, vale muito menos do que a sacada genial que o social media teve para o post de dia dos pais, usando uma foto de banco de imagens e uma frase super criativa como “seu pai merece!”.

Esse senhor, certa vez ousou em falar sobre os 4Ps do marketing.
Aff!!! O quão atrasado está. O digital não precisa saber disso. Preço, o cliente decide. Produto o cliente produz. Praça é o cliente que cuida, mas Promoção, ah esse é com o “xoxialmedia” e seus memes. Engraçados, irônicos, desafiadores. Fotos de Shuterstock, logo do cliente e manda para o ar. Nada além disso. O consumidor que goste da ideia, afinal, ela é a grande sacada.

Likes não pagam conta, lindão!

Antes, era só isso e gerava um caminhão de “likes” ,mas o tal “Mark” mudou as regras do jogo. Agora é preciso pagar para ter likes. As agências piram, mais uma fonte de BV. Agora o digital dá dinheiro. Tem mídia e só assim que se ganha dinheiro com o digital, né? Bem na verdade não, mas continuemos o texto.

A ferramenta do Facebook é simples de mexer, segmentação bacana, milhões de impactos. Não precisa de planejamento ou estratégia. Digital é fazer, é tático, planejamento, é perda de tempo. Planejar para fazer um post? Putz! Coisa de velho! Novos seguidores na página, milhares de likes. Objetivo alcançado, o próximo passo é fazer tudo de novo. Mas e o resultado? Ué, likes são o que????? (Leia o título e entenda a ironia da frase…)

O marketing está cada vez mais orientados a dados

Kotler falava disso em 2009 já. O mercado fala hoje, em 2020.. Mas deixe o tiozinho de lado, ele morreu em 2017 quando lançou o livro Marketing 4.0, né? Para que o Xoxial vai  ler. Agora que ele vai falar de digital? Não trará nada de novo, o mercado já sabe tudo. Não é necessário fazer cursos, MBAs ou ler livros. Um blog responde a tudo, na verdade, basta seguir o Felipe Neto, o novo dono do Brasil, ele sabe tudo sobre influência digital, afinal, o conteúdo dele é rico e válido. Kotler? Aff…

Dados orientando o mercado. Para que? Do Macbook se cria tudo. O resto é Bullshit, como os termos em inglês nos ensinaram, alias, usar termos em inglês deixa tudo mais lindo e resolve tudo. Recentemente, outro dinossauro do marketing, o Meio&Mensagem, apontou que 36% dos executivos elevaram seus investimento em comunicação orientada a dados. Dados vão além do like e curtida de Facebook, ok?

A marca sabe o que realmente quer o consumidor?

Uma coisa eu garanto, o consumidor quer muito mais do que a promoção ou piadianha engraçada na Fan Page.
A marca, precisa, muito mais do que isso, precisa gerar negócios! Essa palavra deveria permear o digital e não “engajamento, curtidas, clicks, geração de leads…” mas isso é o que prega o tiozinho do marketing, o Kotler, e ele está ultrapassado e só sabe escrever livros (alerta ironia ligado!!!)

Se, por exemplo, passar por uma loja no shopping 5 mil pessoas por mês e só 2 comprarem, a loja fecha. Gerou muita gente lá, mas não fez negócio. O que está errado? Preço, produto, atendimento? Esquece, isso é Kotler. Ele morreu!

Por que 5 mil curtidas no post com 2 ou 3 negócios gerados é algo bom? Porque se olha o like e não o negócio. Matamos o Kotler, pois ele fala de negócios e não de likes, ele está atrasado, o certo é pensar em mídia, likes, influenciadores e leads. O resto é balela. O que fazer com o leads? Simples, dispara e-book e email de “estou triste”. Funciona muito! (alerta ironia ligado!!!)

Kotler ensina que o marketing é pensar em pessoas, em emoção.

Com cálculos, ele mostra que é mais barato manter o cliente do que conquistar novos.
Conta?? Nossa, o artigo tá maluco! Não precise fazer conta. Só o CPA ou CPL tá bom. Mas manter os clientes não gera mídia, BV, não vale a pena. Diga que não tem como fazer nada com a verba a não ser performance. E pronto. Cliente ama performance. Na minha humilde visão, performance gera negócios e não uma mídia com custo mais baixo no click.

O digital se resumiu a mídia online: patrocínio de post, links patrocinados no Google, prográmtica, influenciadores. Tudo importante, mas qual a historia que a mídia vai contar? Daniel Chanfon, Ex-LDC, disse em uma recente palestra: “A mídia conta uma hsitória, ela não é apenas algumas inserções”. Mas ele também é da old school, o que vai saber, né? (alerta ironia ligado!!!)

Os assassinos de Kotler, para e trava como um erro 404 Windows, quando se pergunta qual a mensagem a passar. A piada, já foi, a promoção também. E agora? Meu Deus. Manda a criação pensar em algo, urgente, o atendimento disse que amanhã sobe a campanha. E o planejamento? Esse deixa de lado, ele só faz PPT. Não ajuda em nada.

No dia que Kotler lançou o seu livro 4.0, eu fiz um post no meu Facebook

Mais de 400 likes, legal, mas isso não me importou. 50 comentários. Ai sim. A maioria defendendo, conversando, trocando ideias. Uma aula para qualquer um. Pessoas de todas as idades e competências discutindo, até que a Xoxialmedia soltou a frase “Ler Kotler é igual ver Harry Porter, pessoal acha que porque leu um, tem que ler todos” Tadinha, deletei o post para não piorar o nível de críticas a ela. Visão mais míope impossível. Acabei bloqueando, essa eu trabalhei com ela,  nunca fez nada de bom, era limitada. Saiu da agência, virou Gerente de Redes Sociais de uma agência pequena, mas o ego era enorme.

Enquanto matarem Kotler, vão analisar marketing digital como sendo apenas mídia. Resume-se Internet das Coisas, Omnichannel, BigData, AmazonDash, Wearables, Vídeo 360o, Hololens/Windows em mídia. Vivemos a era do Mr. Magoo do digital, visão mais míope possível e pessoal acha lindo.

A mídia apenas atrai as pessoas para um local. O comercial de TV leva as pessoas ao PDV, o anuncio do jornal ao supermercado, o banner ao site. Mas e depois? Kotler ensina reter o cliente, a RD Station mostra a ferramenta, e tudo se resume a um e-book para caçar email e depois disparar a mesma comunicação para todos, como se um homem, 35 anos de SP, comprasse da mesma forma de um homem de 50 anos do Rio de Janeiro.

Kotler morreu.

Bem vindo a propaganda orientada para ferramentas e não para o consumidor.

Obs: Para você que lê título e não texto, ou para você que não lê, não entende e fala qualquer groselha que vem a mente, as críticas a Kotler e Meio e Mensagem são IRONIAS uma vez que respeito, admiro, leio e sigo o que ambos falam.

 

 

Felipe Morais
Felipe Morais
Publicitário, apaixonado por planejamento digital. Começou a carreira, em 2001, atuando como redator publicitário, passando, em 2003 para a área de planejamento digital, onde atua até hoje, sendo reconhecido como um dos grandes nomes do mercado no Brasil.

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