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O que aprendi com uma puxada de tapete?
08/03/17 é uma data histórica para mim. Foi o dia que eu decidi que deveria focar na minha vida. E deixar mal caráter para trás!

Em Out/2016, assumi um cargo em uma agência de publicidade.

A ideia era que a FM CONSULTORIA fosse o braço, internalizado, da agência. No papel seria isso, na prática eu era o diretor — que no dia que comecei fui rebaixado a gerente — de planejamento digital. Não ligo para cargos, eu quero desafios, nem liguei para essa mudança, afinal, o salário e a responsabilidade eram as mesmas. Vou te contar abaixo o que aprendi com uma puxada de tapete?

O primeiro trabalho

Meu primeiro trabalho foi uma concorrência para uma multinacional.

Fiz, os donos gostaram do meu trabalho mas a gestora, head, da área achou que precisava ser no modelo dela, refez a estrutura, mas o conteúdo se manteve o mesmo, ou seja, o mais importante, o pensamento estratégico, era o meu.

No dia da concorrência, o VP da agência senta ao meu lado e pede para ver o plano. Apresentei todo, ele pediu para mudar 2 pequenos pontos, pois ele sabia que seria interessante por conversas e percepção dele. Vamos com tudo!

Apresentei para 20 pessoas do marketing do cliente. Foi uma das minhas melhores apresentações. O clima era tenso, mas depois fui descobrir o porque. Perdemos por causa de uma grande sacanagem do cliente. A concorrência não seria dessa agência nem por decreto do Papa!  Fizeram a gente apresentar como “vingança” por um erro da agência em 2015 com uma campanha mal planejada e executada que rendeu muita dor de cabeça. Acho que o CONAR poderia ler isso e essa minha “carta aberta” e repensar no modelo de concorrência, não?

Novos projetos

Entre Novembro e Dezembro participei de 4 projetos para a agência.

1a era uma marca de fora do país querendo entrar no Brasil. A conta global era de uma agencia de outro país, mas ela contratava agencias locais para atender. O processo estava indo bem, até cogitando de atendermos outros países da América do Sul, exceto Argentina que eles tinham um parceiro que não mexeriam.

2o era uma outra marca de fora querendo entrar no país, mas nesse caso, a agência seria a única a fazer o on e off no Brasil. Ia fazer tudo, campanha off, eventos, treinamento, campanha online e até um e-commerce. Marca desconhecida no país, o planejamento de marca estava muito bom, não participei, mas tinha a missão de desdobrar os conceitos no online.

3o Concorrência para uma marca nacional que precisava ampliar a presença no digital falando com caminhoneiros, um publico super específico. Na “raça” consegui 20 influenciadores, pesquisando canais no YouTube e falando com cada um deles.

4o Projeto para uma multinacional brasileira para ampliar as vendas de produtos via canais digitais. Marca B2B.

Projetos feitos, entregues, aprovados pela diretoria.

Foi apresentado exatamente o que eu fiz, sem mexer em nada.
Me adaptei ao estilo de apresentação da agencia e fomos com tudo!
Mas por ser fim de ano, ninguém aprovou nada!

Janeiro começava o ano com perspectivas!

Janeiro começou e a missão era o plano de comunicação digital do principal cliente da agência, na área digital, formada por 5 pessoas, mas a meta era chegar a 10 até Março. Fiquei 15 dias focado apenas nesse projeto. Pesquisando concorrentes, levantando os relatórios da ferramenta de Redes Sociais, estudando o cliente, lendo os briefs 10 vezes, vendo campanhas e planos anteriores. Enfim, levamos para o cliente. Um dia antes, o atendimento ao ver o plano, pediu para propormos 3 cenários de investimento, sendo a verba o cenário do meio, uma menor e uma maior. Cliente tinha pedido isso.

No dia da apresentação, o CEO da agência fez questão de ir. Por 2 horas só eu falei. O cliente não falou nada. Claro, na hora da verba, ele fez pequenos questionamentos. Eram 10 pessoas do marketing do cliente. Todos aprovaram, acharam que tudo fazia sentido. Sai de lá, o CEO elogiou muito tudo. Disse que não concordou com um único ponto, mas que poderíamos debater sobre, entretanto ficou por isso mesmo, não quis evoluir mesmo na agencia, mesmo eu indo na sua sala conversar. Planejamento precisa ver os pontos de vistas dos outros, mas ele não quis falar mais nada, disse que estava bom daquele jeito mesmo.

O diretor de marketing pediu apenas uns dias. Ele tinha gostado tanto que ia aprovar a verba maior, a 3a opção. Isso representaria mais lucro para a agencia já que qualquer um dos cenários que fosse a equipe, de 5 pessoas, seria a mesma, mas, na minha visão, esse era o projeto que poderia sustentar o crescimento da área online.

Tentei ajudar, mas…

No dia seguinte, o planejamento off foi apresentado. Resultado da reunião: TUDO Reprovado.

No dia seguinte, a diretora de atendimento me pede para ajudar no plano off.
Na maior boa vontade, sentei ao lado da planejadora off e dei meus pitacos, fiz uns estudos, dei uns caminhos, não impondo, mas sugerindo. O ciúmes rolou forte e tudo o que eu falava era questionado, as vezes dava vontade de falar “então, vamos seguir o meu porque foi aprovado na hora por unanimidade” mas você precisa aprender a engolir alguns sapos dentro de agência onde o ego é grande!

Mesmo assim ajudei no que pude, mas claro, o que eu falei ficou de lado. Refizeram tudo, apresentaram. Reprovado. Refizeram e na 3a tentativa, essa eu estava presente, foi aprovado, mas tiveram que ouvir “Por que o digital acerta de primeira e o off erra tudo! Aprovado, mas não é isso ainda que queríamos…” Ouvir isso do CEO do cliente e do diretor de marketing deve doer, ainda mais quando o responsável pelo digital estava ali.

Por que conto isso?

Porque o meu processo de fritada começou nesse momento.
Na época, inocente, achando que eu ia ajudar, abri mão das minhas obrigações para ajudar a equipe, agência, trabalho vestindo a camisa, mas isso foi o começo do meu fim. Ego, o grande problema que temos nas agências…

Apresentado o planejamento, vem mais uma concorrência

Era necessário achar caminhoneiros influenciadores. Na raça, consegui 20.

Passei 2 dias entrando em diversos canais, vendo perfil de comunicação, seguidores, comentários, fazendo uma planilha, entrando em contato um a um — por telefone e email — com um pré-brief (sem citar a marca). Conseguimos os contatos em menos de 1 semana para apresentar na concorrência. Queriam 10, levamos 20. Uma tabela apresentando os dados mais importantes.

Não fui apresentar a concorrência, mas 3 dias depois a resposta: A conta era nossa!!!
Dessa vez, atuando com outra planejadora off, mas essa sem ego, entendendo que estávamos juntos naquele projeto e que o sucesso era de todos. Eu, ela e os criativos, ótimos, que a agência tinha.

Fevereiro vinha com tudo

Fevereiro, uma concorrência para uma marca mundial, queria inovar.

Fiz um projeto, 60 iniciativas entre inovação (Omnichannel, Internet das Coisas, Mobile, Inteligência Artificial…) e ideias básicas como FaceAds, Google, Influenciadores (que era uma mania na agencia, tudo queriam enfiar os benditos  influenciadores).

Apresentação interna, o planejamento offline ficou bravo, queria mais mídia. Verba de 100K, mas ela queria um plano de 1 MM. Segundo sua visão “a agência que mandava no cliente”. A contra gosto fiz o que me foi pedido, passaram vergonha na frente do cliente.

Eu, não fui na apresentação, raramente ia, eu era só o cara do digital. Mas dessa vez foram 6 pessoas da agência, achei que era muito, não questionei muito não ter ido. O cliente detonou a verba e disse que se fosse para ver plano de mídia ela mesmo faria. Queria ver ideias inovadoras. O diretor comercial, que havia entrado na agência na semana anterior a concorrência, já com esse brief surtou na reunião. No dia seguinte, me chamou para uma conversa, eu apresentei a ele o mesmo plano. Ele ficou tão bravo por não terem levado o meu, que pediu demissão naquele dia.

O feedback para o CEO da agência foi “perdemos porque não inovamos…” e eu não entendendo que a planejadora tinha sacrificado uma conta grande, para me queimar, como se eu fosse uma ameaça para ela!!!

O maior cliente voltava a cena

Mesmo com plano de janeiro ainda não aprovado, o cliente grande pediu uma ação para divulgar um produto específico. Ação planejada com meu time. Apresentada, cliente, adorou. Estávamos dentro da verba pré-estipulada. Ele só precisava aprovar com o fornecedor do produto que pagaria 40% da campanha e eles 60%.

Reconhecimento interno

O gerente de uma das áreas saiu da agência para virar diretor de marketing de um cliente da própria agência, mas que só fazia trabalhos offline (Rádio, TV e Material Impresso)

No dia da sua despedida, na sala do CEO, com a presença do VP, ele pede que eu esteja presente e solta:

– Lá na marca, eles tem uma agência de digital. Eles fazem FaceAds e Google. E não vou tirar. Mas quero trazer todo o digital — exceto essas mídias — para cá, porém, o Felipe que precisa cuidar da conta. Quero Mobile, Ecommerce, Inovar em PDV, mas é o Felipe que vai cuidar…

A marca tinha uma parceria forte com uma rede de lojas que revendia seu produto. Queriam inovar. Segundo o novo diretor, eu era o cara para isso. O dono da agência, sorriu, disse que eu seria o responsável pela conta digital inteira. Feliz, estava no caminho certo.

Duas semanas depois fui com o planejamento off apresentar as estratégias on e off para esse cliente. A agência digital anotou tudo o que eu falei. O diretor de marketing chegou a brincar com a agencia dizendo que não precisava anotar nada, porque ele estava muito satisfeito com o que viu e seguiria conosco, exceto FaceAds e Google. E deixamos claro, não queríamos mídia, queríamos inovar.

Em Abril, começaríamos tudo, pois o diretor precisava de um tempo para alguns pontos, com relação a produto e contrato com outra agência que estava acabando e ninguém queria pagar multa.

Março o mês das revelações

Começo do mês, assume um novo diretor de criação. Reunião com todo o time da agência, para ele se apresentar. Ao final o cumprimentei, “bem vindo” mal olhou na minha cara. Nos dias seguintes, fazia questão de cumprimentar um a um, menos a mim, passava como se eu não fosse ninguém. Fez uma reunião com o meu time de digital sem minha presença e como eu soube? Fez questão de chegar no dia seguinte para a minha equipe e falar “vamos seguir com o que falamos ontem, tá” ?

Minha equipe disse que questionou a minha presença e ele nada disse. Alinhou como seria a área de digital da agência, nada do que já não sabíamos. Toquei as minhas coisas e o problema para resolver porque um cliente queria fazer Spam correndo o risco de queimar o IP da empresa.

Março. Dia 07. Um dia antes da liberdade

Sai de casa rumo a esse cliente grande.

Chego lá, a reunião das 9h, ficou para às 11h. Fomos para a sala de reunião, computadores ligados e vamos trabalhar! Tem Wifi, energia e mesa? Então “bora” trabalhar!!!

Das 11h passou para às 14h. Esperamos. Das 14h, para às 16h. Esperamos. Às 16h, espera mais, nós na mesa de reunião, trabalhando. Às 18h a reunião é cancelada, mas a noticia boa: o diretor de marketing tinha aprovados as verbas, a agência acabava de ganhar 2 projetos que totalizavam 3 milhões de reais ao ano. Festa! Ganhamos!!!!

Esse dia estava bem. Em apenas 6 meses, 1 nova conta, 2 novos projetos, 3 novas contas para entrar. O Carnaval no meio deu uma parada com tudo, mas havia grandes chances de aprovação.

Ai veio o dia 08: Liberdade!

Cheguei na agência. 9h.

As 10h, meu CEO me chama na sala dele.
Como tínhamos um almoço, achei que era para alinhar o que seria feito. Ele já tinha cancelado 3 vezes esse almoço com uma produtora para fazermos o projeto de um cliente dele, uma ideia minha e da mídia, que ele tinha gostado muito quando contamos.

Entro na sala, ele e o VP. Cara de poucos amigos. Sento na mesa, fecham a porta e ouço:

  • Obrigado por tudo, mas você será desligado da empresa. Seus chefes ainda não sabem, mas essa é uma decisão nossa.
  • Pelo menos posso saber por que?
  • Porque sua área não deu resultado, vamos ter que cortar e você é o primeiro. Os outros serão em breve (um ano depois desse dia, 3 da equipe ainda estavam lá…)
  • Vocês sabem que ganhamos a conta X, por causa do digital e que os projetos YZ foram aprovados ontem, né?
  • Não…
  • Minha área agora tem 3 projetos para executar na casa dos 4 milhões de reais ao ano.
  • Sabe, achamos que você ia inovar e não vimos isso.
  • Vocês viram o projeto para a conta C?
  • Não..
  • Eu tenho um PPT com 60 slides de iniciativas digitais. De inovação uns 40…
  • Não vimos.
  • Posso pegar lá e mostrar.
  • Mas por que isso não foi para o cliente?
  • Porque o seu departamento de planejamento vetou.
  • Por que?
  • Não sei. Apresentei, disseram que nada daquilo fazia sentido, que vocês não seriam capazes de fazer.
  • Mas fazemos projetos gigantes aqui!!
  • Sim, mas na visão da agência, vocês não tem capacidade de colocar um iPad no ponto de venda, por exemplo (essa era  UMA das ações)
  • Mas isso é caro…
  • Eu consegui de graça.
  • Como?
  • Negociei com um revendedor gigante. Ele topou colocar em 12 lojas, de graça, só pediu para que o produto fosse comprado no e-commerce dele e não de outros.
  • Mas vende o produto lá?
  • E ele é um dos maiores vendedores do produto em SP.
  • Apresentou ao cliente?
  • Não!
  • Por que?
  • Porque o seu planejamento disse que você não tem capacidade para fazer.
  • Não sabia.
  • E outra, passaram vergonha no cliente, pois a verba era de 100K e me fizeram montar um plano de 1MM
  • Mas eu fui pegar o brief. Ficou claro: 100K para um teste de um mês.
  • Sim, eu li o brief, mas mandaram eu fazer outra coisa. Veio do planejamento off, não pude argumentar. Era isso ou ela mesmo ia fazer. Ainda tive que ouvir, que ela mandava no cliente e não o cliente nela.
  • Pois é, sabe, mas as coisas não estavam fluindo, tem o lance dos emails do cliente…
  • Sim, que ele queria mandar Spam e eu vetei, fazendo ele mandar da forma certa e com 12% de taxa de click na campanha?
  • Como assim?
  • O cliente queria fazer Spam. Eu orientei ele a não fazer.
  • Mas você fez o cliente falar direto com o fornecedor. Não pode, ele passa por cima e nos rouba o cliente! Isso é um erro grave.
  • O cliente falou com um grande amigo meu, que vai na minha casa, que é meu parceiro há anos. Falei com esse meu amigo e ele disse que a conversa começou com, “eu vou fazer tudo com a agência…” em nenhum momento se falou o contrário inclusive, o meu amigo me ligou na sequencia e depois o cliente me ligou agradecendo pois ele ia fazer uma grande besteira.
  • O que?
  • Liga para o Fulano e pergunta. Ele ia queimar o IP da empresa. Orientei ele fazer diferente, falei pelo telefone 5 vezes, mostrei como fazer. Ele seguiu e tivemos um sucesso com a campanha.
  • Qual sucesso?
  • O curso dele tem 50 vagas. Esse email preencheu 20. No primeiro disparo. E tem 2 meses até o curso começar. O Quorum mínimo está preenchido
  • Não sabia.

(Sim nessa hora eu também imaginei estar frente a frente com o Lula que nunca sabe de nada)

  • Fala com o Fulano. Ele me ligou 10 vezes em 2 dias. Alinhamos tudo. Chegue a propor de ir lá, mas ele não quis. O atendimento está a par de tudo, pois fiz 3 call com o cliente e o atendimento ao meu lado.
  • Isso não me passaram.
  • Chama a Ciclana e a Beltrana e pergunte. Elas fizeram 3 calls e estão em todos os emails copiadas.
  • Mas olha, você era do planejamento, e só ficava com a midia..
  • Porque a demanda é maior e o seu diretor de mídia não conhece digital. Ele falou isso várias vezes para vocês. Estou ajudando a empresa.
  • Hmmmmmm.
  • Ele está fazendo cursos nessa área, vocês estão investindo, mas eu tenho 15 anos de experiência, estou ajudando ele, só isso. Sou contratado da agência e não para fazer apenas uma coisa. O que puder ajudar, ajudo, até redator já fui aqui.
  • Como?
  • Lembra da festa? Eu fiz os textos dos influenciadores.
  • E eles usaram?
  • Não. Me deram o brief as 17h e a festa era as 19h. Corri e as 18h mandei tudo. Mas disseram que estava muito em cima e nenhum deles quis fazer nada.
  • Não sabia.
  • E olha. Teve 3 curtidas na Fan Page e 5% de aumento na audiência do site. Estratégia foi horrível! Desculpe, mas se é para falar, vou falar. Gastaram uma puta grana do cliente para os influenciadores beberem na festa.
  • Não vi esses resultados.
  • Sabia que o projeto XPTO que fomos ver, que era é só mídia online, que eu e minha equipe sentamos, montamos a campanha, apresentamos o relatório e o cliente vai fechar mais 3 campanhas ao longo do ano?
  • Não.
  • Pois é, na 6a feira o atendimento apresentou os resultados e recebeu esse feedback.
  • Mas hoje usamos as ferramentas para tudo.
  • E quem opera a ferramenta? Quem pensa a estratégia? Olha, na concorrência da marca WWW eu fiz na raça, perdi 2 dias, uma ferramenta me ajudaria e faria tudo em 1h, mas quem ia passar o brief? Quem ia analisar os resultados? Quem ia pensar na estratégia? A ferramenta?
  • Olha, mas está complicado manter você aqui, as 5as você não vem isso não está pegando bem.
  • Na entrevista acertamos isso. Na reunião final acertamos isso. Antes da minha contratação acertamos isso. O time todo sabe desde o primeiro dia.
  • É mas rola ciúmes…
  • Mas o que é acertado antes não tem problema.
  • Mas as 5as precisamos de você aqui e você nunca pode
  • Por 4 vezes me chamaram aqui na 5a, mudei meu dia no meu cliente e vim. Inclusive em 2 você mesmo me ligou e eu vim.
  • É, mas sabe, tá pegando mal.
  • Bom, combinamos um valor de salário para eu ficar o tempo todo aqui, você me ofereceu 70% do valor eu topei com nessa condição.
  • Sim, eu sei, mas não tem como ficar mais assim.
  • Ok, entendo. Obrigado.

Desci para falar com meus chefes. Os dois foram pegos de supresa. O de mídia subiu p da vida, desceu mais ainda. A de planejamento ficou mais serena, claro, quem me queimou? A melhor amiga dela! O diretor de criação teve seu papel nessa fritada!

Como eu sei?

Sai na 4a, na 6a chega uma pessoa lá, amigão do diretor de criação. Ele estava infeliz na agência antiga, ganhava metade do que eu e foi para lá. E claro, ele só ia 3 vezes por semana.

Eram 11h. Liguei para a minha esposa, contei. Ela me disse só uma coisa: “Foi a melhor coisa!”

Liguei para uma empresa que me havia feito um convite de trabalho.
Fechei a parceria. Liguei para 2 clientes.
No mesmo dia, a FM voltava com tudo.
E está ai até hoje!
O que aprendi com uma puxada de tapete? Um resumo de tudo isso abaixo.

O que eu aprendi com isso?

As vezes uma demissão te empurra para frente. Deus, nunca, jamais, fecha uma porta sem abrir uma janela. Tinha recusado uma empresa por salário (me ofereceram 60% do que eu ganhava) e porque estava bem na agencia, realizado, mas hoje, me arrependeria. A agencia não mudou nada, as mesmas pessoas por lá, o mesmo vicio de achar que o digital é apenas uma rebarba da verba, pensamento totalmente para o modelo que já morreu, agencia compradora de mídia TV.

Esse fim da parceira, demissão, seja lá como for, foi ótimo!!

Email começou a “bombar” de solicitações, indicações, dos meus 5 clientes da FM, abri mão de 4, recuperei 1. Estava no mesmo dia da demissão com projetos fechados ganhando 20% a mais do que eu ganhava e com liberdade. Tinha um escritório de graça, tinha pessoas que acreditavam em mim, projetos bacanas para fazer.

O que aprendi com uma puxada de tapete?

Se você foi demitido, encare isso como algo positivo! Esse artigo vem ao encontro de um papo que tive recentemente com um amigo. Com 20 anos de mercado em uma única industria. Há 2 quer sair, mudar, mas a zona de conforto o impedia. 2018 começou e ele foi cortado. Sabia, o chefe tinha medo dele, sabia que era mais competente. Melhor eliminar, né? Na primeira oportunidade, seria cortado. E foi. Não por resultado, mas porque precisava cortar despesas. Típica desculpa.

Agora ele tem tempo para mudar. Para se dedicar a buscar o que lhe faz feliz. Estou ajudando, indicando, conversando, ver no que dá. Vou ajudar, cara do bem, amigo. Não ganho nada com isso, a não ser a satisfação de ajudar. E isso volta para você, tenha certeza. Ajude quem puder, isso volta! Sempre ajudei a quem pude, quando sai da agência, 2 ou 3 ligações e pronto, estava com uma carteira legal, muito trabalho, dinheiro garantido e vamos com tudo!

O que aprendi com uma puxada de tapete? Que a frase “Deus fecha uma porta e abre uma janela” é a mais verdadeira do mundo!

 

 

 

Felipe Morais
Felipe Morais
Publicitário, apaixonado por planejamento digital. Começou a carreira, em 2001, atuando como redator publicitário, passando, em 2003 para a área de planejamento digital, onde atua até hoje, sendo reconhecido como um dos grandes nomes do mercado no Brasil.

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