O que podemos aprender com o “Vai Brasa”

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5 de fevereiro de 2026
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O que podemos aprender com o “Vai Brasa”

O que podemos aprender com o “Vai Brasa” é uma lição, na minha visão, muito mais para estrategistas do que designer, pois, na minha humilde visão, a qual vou passar abaixo, esse caso esqueceu de entender, o que para mim, é o mais importante dentro do processo de marketing: o consumidor!

Simon Sinek nos mostra, claramente, que “100% dos clientes são pessoas. 100% dos funcionários são pessoas. Se você não entende de pessoas, você não entende de negócios”.

Você pode até achar clichê essa frase, e tudo bem com isso, mas te falo, essa frase faz uma enorme diferença quando colocada em prática, e na minha visão, a Nike não se lembrou dela, no “Vai Brasa”.

O que podemos aprender com o “Vai Brasa” é uma aula de como não pensar em uma estratégia ou projeto sem planejamento, e isso, remete a muita pesquisa!

“Se eu tivesse oito horas para derrubar uma árvore, passaria seis afiando o machado.” Esta famosa frase, comumente atribuída a Abraham Lincoln, é uma poderosa metáfora sobre a importância da preparação, planejamento e eficiência antes da execução, profissionais de planejamento precisam ter isso em mente.

Design é discutível,  mas não é o foco do texto

O que podemos aprender com o “Vai Brasa”Não vou entrar no mérito do design da camisa da seleção, até porque achei as 2 horríveis, principalmente a azul com aquela imagem que ninguém sabe o que é, mas que parece coisa do demônio parece, gosto é algo particular, se você gostou, não tem nenhum problema com isso.

Eu trabalho com marketing desde 2001, já passei por muitas agências e vivi muitos projetos com muita gente boa. Um dos times que eu me dava melhor era o da criação, via esse pessoal “pirando” e entrava na onda, sempre foram as minhas melhores duplas, eu como, planejamento.

Eu sempre os provocava, ao ver suas defesas de arte, com a seguinte frase: o consumidor percebe isso? E sinceramente nunca alguém conseguiu me dar uma resposta convincente para justificar que sim, as pessoas percebem absolutamente tudo o que eles dizem na defesa.

Dizia isso quando os via, eufóricos e cheio de referências, explicando a construção de um logo ou uma arte, eu não tiro os méritos deles, acho que precisam mesmo de referências, afinal, publicidade sem referência perde uma arma importante.

Será mesmo que as pessoas vão comprar o shorts da seleção porque tem 2 traços que remetem a capoeira? E aqui, vamos ser sinceros, acertaram, pois capoeira é da cultura brasileira.

Se usassem algo que remete ao Samba, Carnaval, Agro, Praia acertariam também, a brasilidade está em alta no marketing.

O que podemos aprender com o “Vai Brasa” mostra isso, que o planejamento foi feito de uma forma totalmente – pelo menos na minha visão baseado na execução – amadora, isso se teve, se não foi, como já vi muitas vezes, um Power Point com 5 slides com frases de efeito, ou, pior, um planejamento feito com uma única fonte: ChatGPT, que ajuda, mas não é o resultado final.

A design não tem culpa. Sozinha…

Agora falando da defesa da designer, mas antes, isentando-a de qualquer culpa, é nítido que a Rachel Denti – designer brasileira da Nike responsável pela criação do novo uniforme da Seleção Brasileira para 2026 – foi colocada ali sem preparo.

O que podemos aprender com o “Vai Brasa” é que se você tem uma teoria a defender, que a faça com elementos sólidos. Uma coisa que aprendi na minha carreira de estrategista é que de um lado temos a narrativa, do outro, os dados, e eu prefiro a frase:

“Em Deus, nós confiamos. Todos os outros tragam dados”, de W. Edwards Deming

Denti é formada em Design Gráfico pela Universidade de Brasília com passagem pelo estúdio Sagmeister&Walsh em Nova York, está na Nike desde 2021, não é uma iniciante e tem uma boa formação e experiência.

Pode ser uma excelente designer,  mas apresentar as criações não é a sua.

Não precisa ser um gênio de linguagem corporal para ver que a menina estava assustada e perdida, olhava para vários lugares, se mexia muito, não era a dela fazer aquilo, acontece, mais do que imaginamos.

Erro de quem a colocou ali, além de ter uma pessoa que no final do vídeo a ajudava com algumas falas, entretanto, ela recebeu toda bronca da torcida; não que ela, por ser a designer responsável, não tenha culpa, mas ela não pode levar a culpa sozinha, afinal, para chegar ao vídeo e lançamento a Nike e a CBF aprovaram tudo.

“Vamos trazer o Brasil com S e não o Brasil com Z”

De onde se tirou essa teoria? Camisa do Brasil, é do Brasil!! Simples assim!

“Ah mas os jogadores não jogam mais aqui, perdemos a identidade da seleção”.

Correto, mas os jogadores jogam na Europa e Brasil com Z remete aos EUA, onde nenhum selecionável atua.

“Usamos a cor Canary, que é canarinho, que é o nosso amarelo clássico”

O termo “seleção canarinho” tem uma história e não é de hoje. Uma rápida pesquisa no Google me trouxe essa informação:

A Seleção Brasileira ganhou o apelido de Seleção Canarinho após a Copa do Mundo de 1954, na Suíça, devido à estreia do uniforme amarelo”

Era só fazer uma pesquisa de 5 segundos que resolvia essa pérola, mas “vamos trazer o Brasil com S usando a cor Canary?”

É sério isso? Como você resgata a brasilidade usando um termo em inglês?

E qual a necessidade de usar “Canary” para na sequencia justificar ser canário?

O que podemos aprender com o “Vai Brasa” é que se você vai defender uma tese de que é preciso resgatar a paixão do brasileiro pela seleção, algo que aflora em época de Copa do Mundo, não use termos estrangeiros, ainda mais um termo em inglês diante a ampla rejeição que Donald Trump, presidente dos EUA, tem junto ao brasileiro.

“O diabo mora nos detalhes”, aprendemos, aliás, acho que mora na camisa azul da seleção também. Desculpem, mas a 5a série que habita em mim não poderia deixar essa passar.

“Fui explicar para o pessoal que é Brasil, mas quando está jogando é Brasa, esse é um termo que escutamos nos estádios e nas ruas”

Eu tenho 46 anos e amo futebol, acompanho desde criança pois meu pai sempre foi um amante do futebol, e até hoje, assisto jogos com ele, com enorme prazer.

Ninguém que eu conheço fala ou já ouviu “Vai Brasa”.

E eu já fui a jogos da seleção brasileira no estádio, já assisti em bares com pessoas desconhecidas ao meu redor, já assisti na casa de amigos apaixonados pela seleção. Nunca ouvi esse termo!

O que podemos aprender com o “Vai Brasa” é que se você vai criar um termo, assuma a bronca, não jogue para o público, não faça como os jornais que quando querem criticar algo assinam com “diz leitores…”, “os torcedores dizem…”, ok, faça como a frase de W. Edwards Deming, me traga dados:

Quem fala?

Qual região fala?

GenZ usa esse termo? GenX? Y?

Qual estádio fala?

Onde tem uma bandeira disso?

Ser um pouco Pedro Pedreira, personagem do saudoso Francisco Milani, no clássico programa Escolinha do Professor Raimundo, não faz mal algum em projetos, principalmente, os que envolvem uma multidão como é o caso de uma camisa da seleção brasileira!

“Ah mas na sua bolha…”

Ok, faça uma pesquisa nas Redes Sociais e veja quem está falando que em algum momento ouviu ou falou “Vai Brasa”; brasa para mim, remete a churrasco, e ai concordo, ver qualquer jogo saboreando uma picanha mal passada na grelha com carvão, tomando uma Coca-Cola com um copo cheio de gelo,  é um dos grandes prazer que o futebol nos proporciona.

Claramente, essa nova camisa do Brasil foi desenhada a partir de ideias de um grupo de designers, talvez chefiado pela menina que apresentou, dentro da Nike, com pessoas que nunca foram a um estádio e pouco conhecem de futebol, e não tem problema, desde que você faça uma imersão.

Quantos projetos que nós pegamos diariamente que não temos ideia do perfil do público?

Do mesmo jeito que fui chamado em Agosto de 2024 para fazer parte de uma iniciativa no São Paulo FC pelo meu amplo conhecimento em planejamento de comunicação e branding, mas também por tudo o que eu conheço da torcida e time que amo.

Recentemente fui chamado por um amigo para atender projetos imobiliários de altíssimo padrão, os quais, infelizmente, eu não sou consumidor e pouco conheço.

O que fiz em ambos?

Imersão, pesquisa, estudei perfis, fiz entrevistas, conversas, fui visitar stands de venda, fui mais ao estádio, conversei mais com pessoas pelas Redes Sociais sobre o perfil de público do São Paulo. Fiz o mesmo procedimento em ambos os projetos.

Fiz algo sensacional?

Não! Fiz o básico!

O básico para qualquer pessoa de estratégia

O que podemos aprender com o “Vai Brasa”

A lição aprendida aqui é: sem pesquisa, é um achismo!

E nem sempre as pessoas acham a mesma coisa que você. Esse case não é isolado, cansei de ver nos meus mais de 25 anos de agência, campanhas que o time da agência achava lindo, mas o cliente reprovava dizendo claramente que não tinha nada a ver com a marca e público; vi muitos profissionais de agência fazendo “caras e bocas” por sugestões de sair da agência ir para o ponto de venda ou para o cliente fazer a imersão necessária!

Felipe Morais
Felipe Morais
Publicitário, apaixonado por planejamento digital. Começou a carreira, em 2001, atuando como redator publicitário, passando, em 2003 para a área de planejamento digital, onde atua até hoje, sendo reconhecido como um dos grandes nomes do mercado no Brasil.

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