O retorno do PodCast

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O retorno do PodCast

O retorno do PodCast não é uma tendência, mas sim, algo que estamos vivenciando desde o ano passado. Podcasts não são algo dos dias de hoje. Ele lá tiveram seu momento há alguns anos, porém com um outro formato, que para a época, fazia todo o sentido ser daquele jeito. Era apenas áudio que você poderia ouvir quando quisesse em qualquer player de MP3, daquele que você comprava por R$ 99,00 no centro de São Paulo até os modernos iPods, objeto de desejo de muita gente naquele período, mas que hoje, virou item de nostalgia.

Com o crescimento dos smartphones e dos planos de celulares com muitos gigas de acesso à internet, assistir vídeos ficou muito mais fácil, o PodCast – como ele era – perdeu sua força, se tornou algo obsoleto e quase morreu. O vídeo era mais divertido e mais próximo das pessoas, não à toa, os influenciadores ganharam tanto destaque naquela época, algo que cresce ano após ano.

Nos Estados Unidos, a febre voltou alguns anos. O retorno do PodCast lá é uma realidade. Meu amigo André Muniz fala desde 2018 como alguns americanos chegam a ganhar milhões de dólares por ano fazendo Podcasts, as vezes, das suas casas mesmo ou de pequenos estúdios próprios para isso.

Os equipamentos, antes caros e de pouco acesso, podem hoje ser comprado em qualquer loja virtual do país, tanto lá como cá! Não é preciso ser um expert em tecnologia, basta ver o que os programas de maior sucesso usam para buscar similar, alguns deles são patrocinados por marcas o que facilita ainda mais.

A evolução

Não sei ao certo qual Podcast deu início a essa febre, mas sem dúvida o Flow e Podpah estão entre os melhores e percursores. O Ticaracaticast, para mim, o melhor veio na onda e consolidou! Tem o +1PodCast da Rádio Jovem Pan, o Vênus e Hermanas que contam com mulheres para debater sobre tudo.

Tem muitos Podcasts de qualidade hoje, o que abriu espaço para um mercado de “cortes” de Podcast o que ajuda a aumentar a audiência, os cortes são uma excelente estratégia para despertar a curiosidade das pessoas assistirem ao material completo, que normalmente foram entre 1:30 a 2:30.

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Vídeo: de vilão a parceiro

Lembra que disse que o vídeo quase matou o Podcast? Pois bem, foi ele quem ressuscitou o mesmo! Quando os Podcasts saíram apenas do áudio, para ser em video. começaram a ser ao vivo, trouxeram o conceito do bate papo para o centro e ainda se beneficiaram das Redes Sociais e dos cortes para ser um sucesso, pronto, a coisa ficou séria!

Um dos maiores programas da história do rádio, o Pânico, que está a décadas no ar com altíssima audiência, já era nos moldes do PodCast desde o começo dos anos 2000 e serviu de inspiração para muitos projetos de hoje. O retorno do PodCast é a grande realidade dos últimos anos.

O que a evolução traz?

Essa evolução pode ser excelente para quem faz o Podcast. Estamos no momento de crescimento desse mercado, entretanto, como todos os mercados uma hora isso vai saturar e apenas os melhores ficarão.

Daqui a pouco surgiram os segmentados, uma tendência a ser respeitada. Estúdios de PodCast estão surgindo aos montes, pois a demanda está alta. Todos querem o sucesso do Flow ou Podpah!

Comediantes estão se lançando, com sucesso, nesse segmento como é o caso do Inteligência Ilimitada do Rogério Vilela e do Papagaio Falante do imortal Sérgio Mallandro, esse com seu ieié e Glu-glu está sempre se reinventando!

Mas quem ouve?

A introdução acima foi para colocar todos no mesmo barco. Recebi uma pesquisa chamada “Global do Culture Next do Spotify” que mostra dados e tendências interessantes sobre esse mercado.

E olha como esse mercado é doido. Spotify é a maior plataforma de música do mundo, as pessoas estão ali para curtir playlists das suas bandas; YouTube é a maior plataforma de vídeos do mundo, as pessoas consomem entretenimento.

Na teoria, plataformas que não concorrem entre si, mas na prática, o PodCast as transformou em concorrentes, uma vez que se pode ouvir – ou ver/ouvir – esses PodCasts em ambas. Mas onde ver? Eu, por exemplo, prefiro YouTube. E você?

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Segundo o relatório “nossa pesquisa revelou que a Geração Z ainda está em busca de interações e significados, em relação a si mesma e ao mundo ao seu redor, que está passando por várias mudanças. Sem aulas nem interações presenciais com os amigos, eles relataram mais sentimentos de solidão durante a pandemia. A música e os podcasts ajudaram: 66% dos membros da Geração Z disseram que o áudio os ajudou a se sentirem menos sozinhos no ano passado”.

Ainda enfrentamos uma grave pandemia que sem dúvida mudou o mundo. Não existe isso de “novo normal” mas sim de novos comportamentos. O mercado do PodCast explodiu graças a essa tragédia pois as pessoas ficaram muito mais em casa e a Internet era a arma contra a solidão.

Por que do consumo de áudio?

A pandemia, como acima dito, ajudou o mercado dos PodCasts. As gerações como Y (Millennials) nascidos entre 1980 e 2010 e Z, nascidos a partir de 2010, já nasceram com a internet. Enquanto a geração X, nascida em 1960 cresceu foi descobrir quase adultos os benefícios da rede. A geração Y, tem alguns representantes que nasceram no período pré-internet, já a Z, nasceu em um período em que a Internet já era uma realidade para quase 100 milhões de brasileiros.

À medida que o impacto do conteúdo digital em nosso bem-estar fica cada vez mais claro, os Millennials e a Geração Z estão caminhando em direção a um consumo de mídia mais satisfatório e equilibrado. Para os Millennials, isso significa buscar conforto em sons nostálgicos. Por sua vez, a Geração Z tenta compensar com os áudios suas vidas saturadas pelo digital. Tanto os Millennials como a Geração Z estão à procura da combinação perfeita de conteúdos que enriqueçam suas vidas, seja mergulhando de cabeça em um podcast sobre crimes reais, divertindo-se com playlists de música pop ou relaxando com som ambiente. 91% da geração Y e 71% da geração Z usaram os PodCasts para reduzir o stress”.

Esse dado da pesquisa, mostra que a pandemia ajudou no crescimento, mas quando nos livrarmos dela, esse comportamento não será esquecido. Para uma efeito de comparação, o Ticaracaticast, dos humoristas Carioca e Bola, ambos ex-Pânico, pulou de 0 para 500 mil seguidores no YouTube em aproximadamente 30 dias.

A vida na era digital

A Internet faz parte da vida das pessoas, de uma forma, que se ela acaba, não se sabe o que fazer. Somos um dos países que mais acessam a internet no mundo, estamos entre os 5 países com maior número de acessos as principais plataformas, como Google, Facebook, Linkedin, TikTok, Instagram, Twitter e WhatsApp, por isso, as vezes os universos online e offline se misturam.

Uma pesquisa de 2017, da Editora Abril, chamado “O X da Questão” mostra que a geração Y, não busca conhecimento, pois para ela, a informação está disponível na Internet, entretanto, a geração X entende que informação não é conhecimento. Essa dualidade entre on e off, já não mais existe na mente das novas gerações, ainda mais as Y e Z.

Vale lembrar que são gerações que movimentam bilhões de reais todos os dias no mundo. Há pessoas da geração Y com 40 anos, assim como há pessoas da geração Z com 20. A geração Y tem maior poder de consumo, mas em breve, a Z terá o mesmo, entretanto, uma coisa une as duas gerações: a eterna busca pela experiência.

Segundo o relatório, “68% da Geração Y e Geração Z do mundo todo participaram de uma experiência virtual em 2020. Os millennials do Brasil são muito mais propensos do que a Geração Z a dizer que querem continuar assistindo a shows virtuais após o fim da pandemia, pois são mais baratos e práticos do que as experiências da vida real”. Além da experiência, essas gerações são mais conscientes com relação a compras, estão mais preocupadas com propósito do que produto, mais preocupadas com o que as marcas fazem pela sociedade do que o preço, querem produtos mais sustentáveis e ligam menos para marcas do que as gerações anteriores como a X e Baby Bommers.

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O retorno do PodCast

O consumo de PodCast no Brasil está longe de atingir no auge nos próximos anos. A pesquisa mostra que 67% dos millennials e da Geração Z ouvem podcasts semanalmente via YouTube ou Spotify, ou seja, temos como profissionais de marketing, um novo canal de relacionamento, Storytelling, branded content e mídia, mas que fique claro, não apenas mídia.

Não descarte investir em propaganda nesses canais e muito menos ter um da sua marca, assim como você tem um site, perfis nas Redes Sociais, Blog, ações de email marketing e canal no YouTube com a missão de disseminar conteúdo e propagar a mensagem da sua marca, o PodCast ganha um papel com a mesma importância, mas como disse, muitos surgirão e poucos vão se manter. Depende da sua estratégia, energia e conteúdo relevante e único para canal, que não seja apenas mais um canal de mídia, como as Redes Sociais, na sua maioria, se tornaram.

Felipe Morais
Felipe Morais
Publicitário, apaixonado por planejamento digital. Começou a carreira, em 2001, atuando como redator publicitário, passando, em 2003 para a área de planejamento digital, onde atua até hoje, sendo reconhecido como um dos grandes nomes do mercado no Brasil.

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