Rede Falabella no Brasil?

O 5G no Brasil
O 5G no Brasil
8 de novembro de 2021
Marcas são, falam e fazem
Marcas são, falam e fazem
24 de novembro de 2021
Loja Fa

Rede Falabella no Brasil é uma notícia que movimentos o varejo por aqui, afinal, estamos falando de uma das principais redes da América do Sul que está de olho no consumo do brasileiro.

A marca de varejo, nascida no Chile, possui um grande número de lojas por diversos países. Para seus consumidores, a marca trabalha com o autosserviço presencial e vendas pela internet. Para o consumidor brasileiro, em breve, poderemos ter mais um concorrente de peso no mercado.

Em entrevista ao portal Mercado e Consumo, Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da Gouvêa Malls destaca que “a Falabella anunciou planos de expandir sua operação na América Latina. Para isso a marca vai acelerar seu plano de crescimento no Brasil e iniciar operação no Peru e na Colômbia, segundo informações da America Retail”.

O tamanho da marca

Fundada em 1889 por  uma família italiana radicada no Chile, a empresa hoje opera em diversos países da América do Sul, como Argentina, Chile, Peru, Colômbia e Uruguai, onde empregam mais de 100 mil pessoas. Personalidades como Kate Moss, Gisele Bundchen e Ricky Martin já emprestaram seus rostos para campanhas da marca.

Além da loja de departamentos, o grupo possui também a marca de Supermercados Tottus no Chile e Peru; lojas de departamentos e melhorias para o lar Sodimac Construtor, HOMY, Homecenter Sodimac Corona, Imperial, além da Sodimac-Dicico no Brasil. Fabricação de vestuário e investimentos imobiliários em shoppings, como 50% do Mall Praça e 45% no Praça Vespucio, ambos no Chile e a Agência de Viagens Falabella com presença n Chile, Peru, Colômbia e Argentina com quase 40 lojas próprias. Possui 20% da rede de Farmácias Ahumada, no Chile. A empresa atua em muitos segmentos de negócios.

No terceiro trimestre de 2021, a Falabella registrou vendas de US$ 4,09 bilhões na América Latina, 23% acima do ano anterior. Como você verá a seguir, a marca se vier ao Brasil, vai incomodar é muito os gigantes que já temos por aqui. Rede Falabella no Brasil seria um ganho para os números já enormes da marca.

O ano de 2020, todos sabem, foi atípico para o mundo. Em 2021, as coisas começaram a voltar ao normal, ainda não está como estariam caso não houvesse o Covid, mas estão hoje, melhores do que no mesmo período do ano passado, muito graças às vacinas!

Essa retomada, no mundo, ajudou a marca. Esse resultado do terceiro trimestre, se deve ao aumento de 40% nas lojas físicas e pelo crescimento das lojas fora do Chile como Peru e Colômbia por exemplo, onde as receitas do varejo apresentaram crescimentos de receita de 16% e 22%, respectivamente. Além disso, a Falabella inaugurou sua oitava loja em Monterrey (México), enquanto no Brasil a proposta da Sodimac-Dicico continuou se consolidando.

Durante o terceiro trimestre de 2021, a receita consolidada da empresa atingiu US$ 3.572 milhões, um aumento de 16,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda consolidado de US $ 480 milhões, um aumento de 117,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Valores muito expressivos, o que mostra o tamanho da empresa que está de olho nos bilhões de reais que o país gasta no varejo todos os anos. O brasileiro é um grande consumista, compra de tudo, gosta de comprar, gosta de gastar e ostentar, e para a Falabella há um fator interessante, ao meu ver que é o conhecimento de marca pelo brasileiro que viaja para os países sulamericanos onde a marca tem uma forte presença.

O mercado de Ecommerce no Brasil vai mudar

O Brasil tem um enorme potencial de crescimento para o Ecommerce. Em uma população que passa dos 210 milhões de pessoas, nem 1/3 compra online; mesmo que mais da metade já tenha acesso a internet.

O mercado de vendas online no Brasil é bilionário há muito tempo, porém é amplamente dominado por grupos gigantes como CNova (Ponto Frio, Extra e Casas Bahia), B2W (Submarino, Americanas e Shoptime), Magalu (Magazine Luiza e Netshoes) e Dafiti (Dafiti e Zatini).

Isso sem contar as lojas das grandes marcas do varejo como as já citadas aqui C&A, por exemplo. São marcas que facilmente passam do 1 bi em vendas anuais. A Falabella, apenas no período mencionado vendeu 812 milhões de dólares.

Com o dólar cotado a R$ 5,48, estamos falando de 4,5 bilhões de reais faturados em 1 trimestre, sendo 45% desse faturamento veio do aplicativo da loja. O Brasil, em 2020, no ano todo, somando todas as vendas online, aproximadamente 194 milhões de pedidos, faturou 87,4 bilhões de reais. Ou seja, só o que a Falabella faturou em 3 meses, representa o cerca de 5% do faturamento anual do e-commerce no Brasil. Como se diz na linguagem das Redes Sociais “vai vendo…”

A empresa já conhece o Brasil

Cencosud, umas das empresas ligadas à Falabella, já tem presença no Brasil, operando a Sodimac-Dicico. A, também chilena, Sodimac adquiriu a tradicional loja de reforma e construção, a Dicico em 2013 por 388 milhões de reais, por isso, a Rede Falabella no Brasil não é uma grande novidade para o grupo, sua operação de moda seria.

Essa experiência com a Dicico, ajudou a Falabella a conhecer mais como é o mercado brasileiro em toda a sua essência, uma vez que apenas de conhecimento de consumidor uma marca não resiste. O Brasil, como se diz “não é um país para amadores” devido a sua política instável e a enorme carga de impostos, além dos inúmeros problemas com mão de obra qualificada.

Ainda é cedo para afirmar se a Falabella estará no Brasil em 2022 ou 2023, e ainda mais cedo para informar onde as lojas estarão, mas sem dúvida shoppings estão na mira da varejista, mesmo que fora do país, o modelo de loja é outro, o que seria um bom case de branding no Brasil.

Lojas Falabella

Eu já tive a oportunidade de ir a uma loja da marca fora do país. O modelo dela me lembrou muito ao extinto Mappin: um prédio com alguns andares separados por departamentos multimarcas, que se vende de tudo, de itens de decoração para casa, a moda de todas as idades, brinquedos e eletrodomésticos, talvez a Rede Falabella no Brasil traria novamente a nostalgia do Mappin, que até tem um e-commerce, mas sem o mesmo poder e glamour dos anos 80.

A Falabella, pelo menos no exterior, tem o modelo de autosserviço, algo que o brasileiro está bem acostumado em lojas tão tradicionais em nosso dia-a-dia como as gigantes Renner, C&A ou Riachuelo, porem, essas são focadas em moda, algumas abrem para item de decoração e fica nisso, o portfólio da Falabella é mais amplo.

Ao menos no seu modelo de negócio fora do país, a loja oferece muito mais itens em um espaço muito maior. Quem viveu a década de 80 bem, lembrará do Mappin. Falabella é “o Mappin chileno”, porém, a boa gestão dos chilenos não quebrou essa icônica marca, diferente do que houve por aqui.

Mappin

O online vem com tudo!

Para a Falabella, o termo digitalização é algo comum há alguns anos. Desde 2005, ao menos no Brasil, vivemos a febre do e-commerce,  um mercado que cresce 2 dígitos por ano ao menos em nosso país. Segundo Gaston Bottazzini, gerente-geral da Falabella, o e-commerce em 2021 é 3 vezes maior do que em 2019.

O Banco Falabella, que faz parte do ecossistema da marca, teve mais de 170 mil contas abertas, apenas no terceiro trimestre em seu banco digital, onde até crédito para consumo a marca oferece, no Chile, Peru e Colômbia, o programa de fidelidade da marca, passou dos 14,6 milhões de participantes, um número 60% maior que no mesmo período de 2020; o FPay, sistema de pagamento da marca, fez quase 600 milhões de dólares em processamento, segundo dados da Mercado e Consumo.

O ecossistema criado em volta da marca Falabella, nos países em que ela opera, é que faz toda a diferença. No Brasil, estamos vendo uma guerra, iniciada pela Amazon, na entrega rápida. Mercado Livre e Magalu estão entregando no máximo em 24h. A Netshoes ganhou notoriedade no mercado com entrega até 48h.

A Amazon chegou no Brasil com a entrega em 24h e fez com que todos se mexessem, até pelos diversos problemas dos Correios, que impactam as vendas, uma vez que o período de entrega é um dos 5 principais fatores para decisão de compra no online, uma história que as marcas constroem de acordo com sua missão.

Para Bottazzini, “estes resultados refletem o crescimento sustentado e o impacto da nossa estratégia física e digital, onde o complemento entre as nossas lojas, plataformas de e-commerce, logística, meios de pagamentos e o nosso programa de fidelização continuará a ser o motor de desenvolvimento da nossa proposta de valor para os clientes”.

Rede Falabella no Brasil?

Não tenho a menor dúvida de que se essa rede chegar vai abalar o mercado nacional. Não consegui mais informações de que se a Falabella realmente vai entrar no Brasil com a sua loja de departamentos ou vai expandir a Sodimac-Dicico, marca que o grupo opera nesse momento no Brasil.

De fato, se ela chegar, além dos benefícios para o país, como geração de empregos e impostos, teremos mais uma marca para concorrer no mercado e isso é bom para quem consome, pois a eterna busca pela inovação é que move as marcas a se diferenciar, e isso, eu e você acabamos consumindo, não que isso seja ruim, mas para o comportamento de consumo, isso movimento e muito o mercado de varejo.

Felipe Morais
Felipe Morais
Publicitário, apaixonado por planejamento digital. Começou a carreira, em 2001, atuando como redator publicitário, passando, em 2003 para a área de planejamento digital, onde atua até hoje, sendo reconhecido como um dos grandes nomes do mercado no Brasil.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *