Redes Sociais são pessoas

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Redes Sociais são pessoas

Redes Sociais são pessoas e não plataformas, isso é um fato que muda a nossa percepção. Ou deveria. Nesse artigo você vai saber mais sobre isso.

O Orkut foi a primeira plataforma social que mostrou ao mundo o poder das conexões. Pessoas dos 4 cantos do mundo se conectando em busca de um objetivo comum. A plataforma apenas auxiliou que isso pudesse ocorrer.

Alguns, amigos de velhos tempos se reencontrando. Outros participando dos grupos que estavam de acordo com a sua maneira de viver, como o famoso “odeio acordar cedo” um sucesso o início do Orkut, que era uma brincadeira, mas mostrou o poder de uma comunidade. Teve até o emblemático case de uma comunidade do Nescau que fez com a formula original voltasse ao mercado. Uma comunidade mudando os rumos de uma gigante como a Nestlé era um indício do que vinha por ai.

Essa plataforma parou no tempo e viu Mark Zuckerberg criar um concorrente mais intuitivo e limpo, matou o Orkut e se transformou na maior plataforma social do mundo, ou pelo menos na mais famosa, que até filme se tornou (A Rede Social, 2010). Aliás fica a dica para quem ainda não o viu, veja!

O começo de tudo

Rede Social não é o Orkut, Facebook ou Instagram. Elas são, ou foram, plataformas de conexão e relacionamentos que permitem que pessoas com um mesmo objetivo em comum interajam entre si.

Já dando um spoiler do artigo, pergunto qual pessoa entra no Instagram para interagir com propaganda? Fica a reflexão que vou defender aqui. Pense que a resposta está por trás da palavra: interação

Redes Sociais são fenômenos que ocorrem desde que o homem surgiu na pré história. Pessoas se juntam em um local com um objetivo em comum, como por exemplo uma sala de aula. Sempre cito esse exemplo nas faculdades em que ministro aula, a sala é uma grande Rede Social, uma vez que tem ali 20,30,40 alunos tem um objetivo comum, o de aprender o que o professor está ali para ensinar (ao menos deveriam estar a fim de aprender…).

Pessoas reunidas em um grupo para um objetivo em comum, a faculdade seria o Facebook (plataforma) e a sala de aula um grupo, pois tem um tema específico, no meu caso marketing, mas pode ser direito, administração, medicina, engenharia entre outros.

Micro sociedades

Eu gosto muito desse termo, que para mim, nada mais é do que algo que há séculos ocorria. Eu tenho 41 anos, logo, aos 10, 12, 15 anos, o Orkut, primeira grande plataforma de conexões, nem era sonhado, mas eu já tinha as minhas Redes Sociais. Uma eram meus amigos da escola onde estudava, a turma do prédio que eu morava, turma do clube que era sócio, da casa da minha tia em um condomínio fechado no interior de São Paulo… cada hora eu estava em um grupo de amigos, com algo em comum, seja na escola ou porque morávamos no mesmo prédio.

Chamo isso de micro sociedades. Hoje elas ainda existem. Seja no trabalho, nos amigos que fiz pelas agências que passei, meus ex-alunos (alguns, hoje parceiros de negócio), amigos da minha esposa e por ai vai. São essas micro sociedades, que podem ser Redes Sociais, que nos reunimos e falamos ao vivo, pessoalmente e sem uso de tecnologia. Interagimos entre nós por assuntos em comum. Redes Sociais são pessoas e pessoas conversam. As plataformas só uniram todos a todos. Todos a tudo.

Isso é o pilar da micro sociedade que o ser humano busca, desde antes mesmo de Maslow criar sua famosa pirâmide de necessidades. Por isso é importante ressaltar que Redes Sociais são pessoas, muito além de plataformas. O ser humano quer ser aceito nessas micro sociedades e muitas vezes, usa marcas para trazer esse aceite, como a Apple, por exemplo. Esse comportamento básico nos mostra os caminhos a seguir com as marcas que trabalhamos, e com certeza, não é apenas a propaganda que faz isso, afinal, nem só de propaganda se cria e fortalece marcas.

Mas por que entender isso?

Ai vem a resposta do spoiler: gestores de marcas e de comunidades, uma nova profissão que o Facebook trouxe, pensam muito mais na plataforma do que nas pessoas. Como posso afirmar isso? Basta ver como nos perfis das marcas, recheados de propaganda, promoções e de feitos da marca sendo a melhor do mundo. Obviamente, a plataforma é um poderoso canal de mídia, isso é inquestionável, o que se questiona é: ela é apenas mídia?

Ainda estou um pouco atordoado com uma marca que falou muito sobre ser diferente e ao ver a execução, não passa de um case mais o mesmo, ou seja, usa todas as suas Redes Sociais para divulgar marca, produtos, campanhas e promoções, e não as usa, em nenhum momento, para propor um diálogo com a sociedade como o gestor pregas em entrevistas, ou seja, entendem a plataforma como apenas, mais um canal de mídia, dentre todas as existentes.

As micro sociedades de uma marca trazem nas Redes Sociais um enorme potencial de conexão, sem a menor sombra de dúvida. É preciso sim, da mídia para atingir a audiência qualificada, mas que se qualifique pelo comportamento e não pelo sexo, idade e cidade, porém, quando a mensagem chega é preciso ser algo relevante. Redes Sociais são pessoas e precisamos nos ater a isso!

E vamos ser sinceros, por mais que eu seja publicitário e ame o que eu faço, mas propaganda não é relevante!! Ela se torna relevante se a marca impacta a pessoa certa no momento certo, como por exemplo, uma pessoa que acabou de ter seu celular roubado e precisa comprar outro, recebe um email da Vivo oferecendo um desconto, porém, isso é algo raro de conseguir, mas é possível ter essa relevância no site, quando após uma busca no Google as pessoas vão no site tirar mais informações. Ou alguém duvida disso?

Sim, duvidam! Basta ver os sites das marcas. Se fosse algo vivo, alguns sites teriam mato na tela, de tão mal cuidado! Todos focam nas Redes Sociais, mas esquecem que na jornada de consumo, o site é mais importante o que a Rede Social, as é mais legal fazer post de meme do que vídeo de produto, né?

Redes Sociais são pessoas

O marketing é baseado em pessoas. Facebook, Instagram, Twitter, Linkedin são plataformas que une pessoas a pessoas e/ou pessoas a marcas. Como Martha Gabriel disse há 10 anos atrás, o vetor do marketing mudou, as pessoas buscam as marcas, claro, precisa ainda do impacto da marca, via mídia, buscar o consumidor, mas ele vai decidir se vai seguir ou interagir e isso é feito baseado nas provocações e conversas e não em propagandas e anúncios.

Você até pode ter 2 milhões de seguidores no seu Facebook, e vamos pensar ser apenas de forma orgânica (achando que você já entendeu que comprar fãs não leva nada, a não ser a métrica da vaidade), quantas pessoas, realmente, curtem as suas postagens e quais dão mais resultado? “Ah Felipe, que coisa antiga você está falando…” a minha resposta para isso é “Sim, antigo, mas como anda a comunicação da(s) marca(s) que você está gerindo?”

Redes Sociais são pessoas. Pense nisso!

 

Felipe Morais
Felipe Morais
Publicitário, apaixonado por planejamento digital. Começou a carreira, em 2001, atuando como redator publicitário, passando, em 2003 para a área de planejamento digital, onde atua até hoje, sendo reconhecido como um dos grandes nomes do mercado no Brasil.

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