Charlie Chaplin. O primeiro planejador

Amigos. Depois de muito tempo eu consegui, finalmente, assistir a uma palestra da minha grande referência no mercado de publicidade, o grande Julio Ribeiro, que para quem não conhece, foi o fundador da Talent, hoje TalentMarcel, e atualmente está com a sua consultoria de planejamento, JR Planejamento. Não, não é mera coincidência eu ter colocado o nome da minha consultoria de FM Consultoria de Planejamento. Foi uma inspiração, ou como podem dizer, cópia mesmo! Enfim, eu deveria ter ido nessa palestra ao vivo em 2012, até paguei, se eu não me engano R$ 150,00, mas como sabem, vida de publicitário não é fácil e fiquei preso em reunião na empresa até 21h, ficando impossível ir no evento que começou as 19h30... mas algum tempo depois, tive o prazer de conhecer o Julio pessoalmente, de lhe entregar um exemplar do meu livro (Planejamento Estratégico Digital) que ele até indicou em uma matéria na Revista da ESPM, e pegar um autógrafo no seu clássico livro Fazer Acontecer.com - leitura OBRIGATÓRIA para nós, publicitários de qualquer área, seja criação, mídia, planejamento, Redes Sociais, Atendimento... Bem, apresentações feitas, passo a vocês um resumo do que eu aprendi na palestra que ele deu na APP. Esse evento foi proporcionado pela APP para que o Julio pudesse, além de ensinar muito, apresentar seu livro Marketing de Atitude - OUTRA LEITURA OBRIGATÓRIA - que ele lançou me 2012.Assisti no Youtube na integra e aqui, passo um resumo dos pontos que eu anotei. - Muitas pessoas tem projetos. Sempre a ideia é ser a melhor do seu segmento, mas falta saber: Qual a atitude se tomou para que esses sonho se torne realidade? - Atitude: esforço, capacidade, contornar deficiências. É o que falta nas pessoas. As boas ideias não estão no papel - A propaganda é um canal para fazer as pessoas comprarem. Mas não é a única - Lojas de varejo acham que o consumidor é sensível apenas a preço, mas quando se faz pesquisa, mostra-se que ele é sensível a outras coisas além do preço - A Apple não faz propaganda. É caro, não tem desconto, pessoas ficam horas na fila para comprar um produto, amam exibir esse produto para todos. E ela não oferece 1 dólar de desconto, mas entrega o que promete: inovação. - O grande erro é pensar apenas em preço. - Não existe consumidor. Existe pessoas. As pessoas exercem diferentes papeis e quando querem comprar, são consumidores, mas elas não exercem esse papel 24h ao dia, nesse período elas são pessoas, são pais, professores, advogados, irmão, esposa... A pessoa assume o papel de consumidor apenas quando vai comprar. Ela tem vida, tem emoções - As emoções das pessoas são mal trabalhadas no varejo. Pensam apenas em preço e o consumidor é bem sensível a preço, mas não apenas a preço - As emoções tem mais efeito no momento da compra do que o preço - Caso cabeleireiro feminino As mulheres buscam o cabeleireiro mais perto e barato ou que mais confiam? Existe um prazer no ato desse tipo de compra que não pode ser mensurado O cabeleireiro escolhido pela mulher normalmente é mais longe, mais caro, ela fica 2 horas esperando para ser atendida, sendo que no da esquina de casa pagaria menos e seria atendida mais rápido. Mas ela pouco se importa com isso. Paga-se mais pela ligação emocional. Em muitos casos, o cabeleireiro sabe mais da vida da cliente do que grande parte das suas amigas. A confiança é tanta, que atravessam a cidade para estar por algumas horas com quem confia. O cabelo da mulher é um item que poucos podem mexer, pois é algo emocional delas, a preocupação estética feminina é muito maior que a masculina e o cabelo é o começo de tudo. Não adianta o cabeleireiro da esquina dar desconto. Ela confia no outro - As pessoas compram por desejo ou necessidade - A grande arma para a persuasão da venda é a alegria - Uma empresa triste, como repartição pública, custa caro para a empresa. Mais do que se imagina - Quanto mais a pessoa amar a empresa que trabalha, melhor ele vai vende-la e se o vendedor tiver uma ligação emocional e amar a marca, vai vender melhor ainda. Os funcionários do Walmart, nos EUA, passam a vida dentro da empresa. A vendem como poucos. Não a toa, o Walmart é o maior varejista do mundo. - As pessoas, primeiro, compram o produto e depois pensam na culpa daquilo. Por que comprou, se pagou mais caro, se está gastando muito com determinadas coisas. Se há ligação emocional entre marca e consumidor, essa culpa fica menor e ele compra mais - O ato da compra é intuitivo. Primeiro ele compra, depois pensa no que fez, depois defende para si mesmo se está certo ou errado, o sentimento de culpa interna - Pessoas não saem por ai buscando produtos. Elas vão em lojas que tiveram uma boa experiência ou que foram indicadas por quem teve boas experiências. Vão atrás de produtos da mesma forma. Primeiro vão em quem confiam, se não acham, buscam outras para uma primeira compra. Nessa primeira compra ou contato, a experiência contará muito. - Experiência de compra se resume em: Atendimento, Atenção, Carinho, Preço justo e Qualidade. Tendo isso, não esquece mais a loja. Volta, compra mais, indica, recomenda. - A experiência de compra é positiva quando existe interação entre consumidor e o vendedor ou marca - A má experiência é uma das poucas coisas que faz o consumidor cumprir uma palavra quando ele afirma “nunca mais compro aqui” – e ele cumpre isso! - Quem vende é o vendedor e não o dono da loja. Se o dono não gosta do vendedor, por que ele vai gostar da loja ou marca? E porque vai gostar do consumidor? Pessoas, muitas vezes, não gostam do trabalho, trabalham porque precisam e isso faz muita diferença na hora da conversa desse vendedor com o consumidor final. - As conquistas tem que ser sempre comemoradas. As empresas devem envolver todos os seus funcionários nas conquistas, até mesmo com remuneração financeira. Mais do que dinheiro, as pessoas querem carinho e reconhecimento. - 68% das pessoas mudam de marca ou loja porque são mal tratados. Observações Felipe: Apenas um adendo a esse post, o Brasil é o vice campeão mundial de mau atendimento nas lojas. A antipatia das vendedoras é foi tema de matéria do Jornal Nacional, onde apenas 79% das pessoas sorriem quando uma pessoa entra na loja. Na Irlanda, pais líder em simpatia, o índice é de 97%. Por mais que o índice brasileiro seja alto, ele fica atrás apenas no Japão. https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/08/brasil-fica-em-penultimo-em-pesquisa-sobre-simpatia-de-vendedores.html Esse comportamento é prejudicial ao negócio. Indo ao encontro do que Julio Ribeiro diz, está um depoimento colhido no vídeo “Eu posso até comprar se eu estiver precisando muito, mas eu não voltaria mais por conta da má recepção”, disse o bancário Eduardo Bitencourt, ou seja, uma má recepção pode até vender uma vez, mas não fideliza o cliente. Fidelizar o cliente é manter uma receita e também prever que ele vai indicar a loja para outras pessoas. E ai, vamos mudar nossa atitude ou continuar na mesma?
Julio Ribeiro – Marketing de Atitude
23 de outubro de 2020
Em que momento o planejamento faz a diferença na campanha?
Em que momento o planejamento faz a diferença na campanha
27 de outubro de 2020
Charlie Chaplin. O primeiro planejador

Charlie Chaplin. O primeiro planejador.
Um dos maiores nomes do cinema mundial, o homem que quebrou paradigmas, promoveu a ruptura, criou um movimento. Fez pessoas saírem do tradicional e experimentar algo novo. Por volta de 1915, sem nem imaginar que um ia um “tal computador” seria capaz de efeitos especiais incríveis, usou uma linguagem com muitos efeitos visuais, o que era possível para a época. Sem som, sem fala, com diálogos curtos, rápidos e engraçados. Criou um mundo de fantasias, não vendeu um produto – filme – vendeu um sonho para as pessoas, um sonho onde as pessoas pudessem, por um curto período de tempo, se desligar do mundo real e sonhar.

Charlie Chaplin. O primeiro planejador, foi também um homem multimídia em uma época em que poucos tinham mais de um emprego: ator, diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante, dançarino, roteirista e músico. Permeou por diversas áreas de conhecimento. Experimentou, viveu, trouxe experiências de vida para a sua comunicação com as pessoas: planejador, isso lhe parece familiar?

Chaplin inovou.

Criou empatia. Fez com que as pessoas comprassem seu sonho. Ele trouxe para o mundo o entretenimento. Não criou o cinema, mas o fez melhor.

O Brasil também não inventou o futebol, mas teve Pelé. Nos profissionais de planejamento não criamos a comunicação ou marcas. Apenas a melhoramos. E como? Pesquisa e entendimento de pessoas.

Charlie Chaplin. O primeiro planejador usa uma importante frase

“Mesmo sem saber muito sobre cinema, eu sabia muito sobre seres humanos” e por isso, contou, da sua forma, histórias memoráveis, que hoje, ainda lembramos e ainda assistimos seus filmes, que se tornaram clássicos. Charlie morreu em 1977, mas como Elvis, John Lennon ou Freddie Mercury (entre outros) fez um trabalho tão memorável que sua obra ainda encanta pessoas. Em época de filmes carregados de efeitos especiais, Charlie ainda nos emociona com seus filmes de 1915… exatos 100 anos!

Charlie Chaplin. O primeiro planejador

Então vejamos. Mais do que qualquer outra coisa, Chaplin se interessava por conhecer pessoas. Ele queria saber o seu dia a dia, sabia que esse conhecimento traria a empatia, aliás, empatia é a palavra-chave para ligar a marca ao consumidor. E o que planejamento faz mesmo? Liga a marca ao consumidor!

Chaplin entendeu o cenário que as pessoas viviam. Fazia pesquisas constantes, entendia a vida das pessoas, o cenário que ela estava inserida e contava uma história, vendia um sonho. Julio Ribeiro, mestre do planejamento, nos ensinou que profissionais de planejamento são excelentes contadores de história, no final, o que nós fazemos, é contar história.

Em meu livro sobre o tema Planejamento Estratégico Digital eu falo muito de Storytelling, não porque é um dos conceitos da moda no mundo digital, mas porque é isso que planejadores fazem: contam histórias!

Charlie, acima de tudo, era um apaixonado por um sonho, uma ideia.

Você é apaixonado pela marca que trabalha ou ideia para resolver um problema de marca? Se sim, parabéns, você é um excelente planejador, senão, fica a dica: busque o que lhe dá prazer. Ulisses Zamboni, outro grande nome do planejamento, nos ensina que planejadores com vidas comuns, entregam resultados comuns.

Viva. Se você vai viver, que seja vivendo com algo que lhe dá prazer. O melhor dos mundos não é trabalhar. É se divertir e ganhar dinheiro com isso. Charlie fez isso muito bem, por mais de 70 anos. Sem viver a marca, como você pode criar empatia entre marca e pessoas se você mesmo não tem essa empatia. Esse era o segredo de Chaplin, entender pessoas, entender cenários e criar uma comunicação que cria-se uma empatia entre a sua mensagem e as pessoas que a recebiam. Lhe parece familiar esse conceito, caro amigo(a) planejador(a)?

Charlie não escreveu histórias para ele.

Escreveu para pessoas. Vamos forçar esse conceito, entendeu pessoas e depois fez uma ação. Seja no cinema, uma campanha ou um projeto digital, o foco tem que ser pessoas. Entender o que as pessoas querem e lhes oferecer isso, de uma outra forma, com outra roupagem. Planejar não é vender um carro para o consumidor, é vender um sonho de consumo para ele que pode ser o carro como elemento tangível, mas o que as pessoas compraram foi o sonho de ter o carro. O termo “consumer center” não tem que ficar no discurso das marcas. Tem que ser seu dia a dia. Charlie, em 1915, mostrou isso.

Enfim, muito antes de Jon Steel criar o conceito de planejamento, Charlie Chaplin, de maneira simples, entendeu pessoas e criou histórias memoráveis. Sem dúvida, Charlie, foi primeiro grande planejador da história mundial. Alias, depois de ler isso, queria saber: como anda a sua comunicação digital?

 

 

Felipe Morais
Felipe Morais
Publicitário, apaixonado por planejamento digital. Começou a carreira, em 2001, atuando como redator publicitário, passando, em 2003 para a área de planejamento digital, onde atua até hoje, sendo reconhecido como um dos grandes nomes do mercado no Brasil.

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