Informação não é conhecimento

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Informação não é conhecimento. Salve essa frase para a sua vida!
A informação está cada dia mais disponível. O Google é, sem dúvida, uma grande revolução para trazer bilhões e bilhões de conteúdos para a vida das pessoas, as Redes Sociais são outros canais, assim como o YouTube,  que ajudam nessa busca de conteúdos, ou seja, não há mais desculpa para não saber de algum assunto.

Está cada dia mais fácil ter acesso a tudo a qualquer momento. No shopping, você viu uma roupa interessante na vitrine da loja, mas achou muito caro. Em segundos, pelo seu celular, você pode pesquisar se, por exemplo, no site da loja aquela roupa está mais barata ou se algum brechó online vende a roupa, ou, se você se apaixonou pela marca, pelo aplicativo do seu banco, você pode ver se tem saldo no cartão de crédito, ou mesmo, tirar uma foto e mandar pelo WhatsApp para uma pessoa que você confia no gosto para moda.

Tudo isso é informação, você tem informação de outras lojas, do seu banco ou passa uma informação para uma pessoa da sua confiança, mas entenda, e é o que vamos ver aqui, que a informação não é conhecimento.

A internet hoje

O Brasil hoje tem 160 milhões de pessoas com acesso a internet, sendo a maioria pelo celular. Esse é o cenário atual de Junho de 2021, o que representa aproximadamente 76% da população brasileira com acesso a rede mundial de computadores. Em breve, devemos chegar a 90, 95% da população, pois mesmo aqueles que estão abaixo da linha da miséria tem, através de WiFi gratuito acesso a rede.

Ainda é um percentual pequeno, é verdade, mas há diversas iniciativas de empresas de tecnologia, como o Google, por exemplo, para oferecer de forma gratuita a internet em todo o mundo. Na Europa, há praças com acesso gratuito ao WiFi, basta chegar na praça, localizar a rede e se conectar, de forma gratuita e o sem tempo limitado. No Brasil, ainda engatinha esse tipo de atividade, mas na minha humilde visão, já está mais do que na hora de ocorrer. Espero que o Ministério da Ciência e Tecnologia, possa pensar nisso em breve, mas antes, vamos deixar que os ministérios, em conjunto, resolvam o problema das vacinas, depois pensa em outras ideias, afinal, o WiFi gratuito é uma realidade, mas não precisa de pressa, já perdemos o tempo, agora, podemos esperar mais.

O cenário da internet está, acima, resumidamente, desenhado. A revolução que ela trouxe é inquestionável, entretanto trouxe um problema para o quesito conhecimento. O fato das pessoas digitarem qualquer assunto no Google e ter milhões de resultados para aquele assunto, dá a sensação de conhecimento, entretanto como dito no título, informação não é conhecimento. Se você, por exemplo, tem a bula de um remédio em mãos, significa que você conhece tudo sobre esse remédio? Você realmente entende todos os termos técnicos que está escrito nessa bula? Pois é, o Google é quase isso.

Pesquisa sobre os jovens

Um dos perfis que mais me preocupa, são os jovens. Eles vão mudar o mundo, com seu Twitter, em que são seguidos por 100 pessoas e conseguem 5 curtidas. São jovens que nada conhecem da vida, nada sabem sobre responsabilidade, mas se acham com um enorme poder em mãos para mudar o mundo, mas não lavam o copo de milkshake sem lactose que tomaram antes de demonstrar toda a sua falta de conhecimento do mundo nas suas Redes Sociais.

Meu grande amigo Rafael Rez, me mostrou uma pesquisa da BBC hoje cedo que me motivou a escrever esse artigo. Segundo a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em uma pesquisada pela mesma: “a familiaridade dos adolescentes atuais com a tecnologia, que faz deles nativos digitais, não os torna automaticamente habilitados para compreender, distinguir e usar de modo eficiente o conhecimento disponível na internet”. Olha a grande preocupação que venho expor nesse artigo, afinal, a informação não é conhecimento.

A informação está disponível, mas não o conhecimento. Um dado interessante da pesquisa da OCDE aponta para o problema do jovem, que está com a informação a disposição, claro, o Google traz o que precisamos a qualquer momento, mas ler o material, compreender, entender e ai sim, gerar no cérebro o conhecimento baseado na informação é a grande dificuldade dos jovens, que segundo a pesquisa são “incapazes de compreender nuances ou ambiguidades em textos online, localizar materiais confiáveis em buscas de internet ou em conteúdo de e-mails e redes sociais, avaliar a credibilidade de fontes de informação ou mesmo distinguir fatos de opiniões”.

Sempre que há Enem no Brasil, um dos assuntos mais comentados é a redação. O jovem não sabe ler e interpretar texto, não sabe passar suas ideias para o papel, talvez, porque, infelizmente, não tenha ideias, pois ele passou a vida decorando textos, fórmulas e dados para passar na prova, e quando lhe era oferecido um livro para ler, o professor é um “babaca” pois vai tirar o precioso tempo do aluno para criar vídeos no TikTok dublando música, em busca da fama…

Os exemplos dos jovens

Ontem assisti um pouco da entrevista do “Cartolouco” no programa do Maurício Meirelles, de quem sou fã. O Cartolouco tem 448 mil inscritos no canal, que medo! O cara não sabia falar, não sabia formar uma frase, deixou ou Meirelles altamente constrangido com brincadeiras sem graças, com respostas evasivas, sem postura para falar, com caras e bocas, frases sem um final. Esse é o ídolo dessa molecada.

E sabe o que isso gera? No Brasil, apenas um terço (33%) dos estudantes foi capaz de distinguir fatos de opiniões em uma das perguntas aplicadas, na pesquisa da OCDE, no mundo, a média é de 47%. Pátria Educadora, que se diz, né?

Informação não é conhecimento

Meu pai sempre me ensinou, e hoje ensina a minha filha, a ler tudo, até bula de remédio. Meu pai não era o melhor aluno da sala, mas sim da sua escola. É um brilhante advogado e muito inteligente, sabe de tudo, conversa sobre tudo, mas também estuda o dia inteiro.

Não ler, pode colocar o jovem nessa conclusão da pesquisa: “as consequências disso são profundas para a inserção no mundo do trabalho e para o exercício da cidadania, uma vez que pessoas que não sejam capazes de compreender textos plenamente estarão, em teoria, menos aptas para ocupar empregos de alta complexidade – e, ao mesmo tempo, serão presas mais fáceis para o ambiente de desinformação que floresce na internet e nas redes sociais”.

O incentivo a leituras de profundidade, que permitam aos alunos treinar a observação de nuances no texto, é uma estratégia capaz de melhorar as habilidades de compreensão textual tão valiosas no século 21. Ou seja, se você é jovem, mude já sua postura, se você é pai de jovem, converse mais, incentive mais, menos celular, mais leituras, no futuro seu filho vai agradecer.

Felipe Morais
Felipe Morais
Publicitário, apaixonado por planejamento digital. Começou a carreira, em 2001, atuando como redator publicitário, passando, em 2003 para a área de planejamento digital, onde atua até hoje, sendo reconhecido como um dos grandes nomes do mercado no Brasil.

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