O crescimento dos comitês multidisciplinares

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O crescimento dos comitês multidisciplinares

O crescimento dos comitês multidisciplinares é uma prática cada vez mais comum no varejo.

Nem só de Anitta o mundo do marketing tem vivido nos últimos dias. Nada contra a cantora, só a usei como exemplo, depois das suas iniciativas na Pepsico e Nubank, por exemplo, entretanto essa não é uma grande novidade, uma vez que por volta de 2010, o canto Will I Am, da banda Black Eye Peas já tinha assumido uma área similar na Samsung nos EUA.

Se a ideia é ter um comitê multidisciplinar, eu vejo com bons olhos isso acontecendo, desde que faça sentido para as marcas. A Monja Cohen na Ambev, eu tenho uma grande dúvida o quanto se pode misturar religião e negócios, me parece algo mais lacrador do que realmente efetivo, posso estar errado, mas essa é a minha visão no momento em que escrevo esse artigo.

Planejamento

Eu já montei um time assim em uma das marcas das quais a FM CONSULTORIA cuidou por alguns anos, o problema é que ninguém entendeu a importância do comitê, apenas sentavam em uma mesa, jogavam ideias e quando acabava a reunião, ela se tornava apenas uma pauta feita por uma assistente de marketing. Nem o trabalho da menina era valorizado. Durou 4 meses, veio a pandemia e acabou tudo, inclusive, o nosso contrato com a marca.

O crescimento dos comitês multidisciplinares é algo inevitável e não tem mais para onde fugir.

Bernardinho empresário

Me chamou a atenção uma matéria na NeoFeed, em que mostra o técnico Bernardinho em uma iniciativa na área de varejo e não do esporte, onde ele é, indiscutivelmente um dos 5 melhores do mundo. O campeão olímpico foi contratado pela Arezzo&Co para o seu comitê de pessoas, cultura e governança.

Do seu jeito único, Bernardinho faz a gestão de pessoas, com foco no título. Algo que talvez falte ao meu querido São Paulo Futebol Clube, uma pessoa que seja mais enérgica e transforme mente, traga os conceitos de campeão, mas que fique claro, sou fã do Crespo e não tiraria o argentino do comando.

Bernardinho não foi para uma empresa qualquer, mas uma que tem se destacado muito no cenário de moda no Brasil. Hoje, a Arezzo&Co comanda grifes como Arezzo, Reserva, Ana Capri, entre outras, possui 3.730 funcionários e vale R$ 8,55 bilhões na bolsa. Não estamos falando de uma marca, mas sim de um grupo com marcas muito importantes.

Mas o que Bernardinho fará?

O trabalho de Bernardinho envolverá conversas semanais em um grupo de WhatsApp com os outros membros do comitê e reuniões bimestrais para, como ele mesmo diz, identificar onde estão as aflições, os gargalos e definir onde concentrar esforços para a construção e o fortalecimento da gestão de pessoas. “Gastar energia de forma correta”, afirma.

Bernardinho vai trazer seu conhecimento de quadra, do esporte, da competição para o varejo. Competição é a sua vida, e no varejo isso é minuto a minuto. Bernardinho vai trazer esse mentalidade para o universo da Arezzo&Co, o que eu, repito, vejo com bons olhos, entretanto, o comitê não nasce por causa do técnico, mas ele entra para agregar.

Marco Vidal, diretor-executivo do grupo Arezzo&Co, conta que o comitê já existe desde 2011 e tem como meta municiar o conselho de administração com análises e informações. “Vamos discutir oportunidades de desenvolvimento de talentos, recrutamento e formação, avaliar a performance dos executivos”, diz o executivo, e é preciso analisar que o caminho é esse, criar um comitê interno e depois trazer pessoas multidisciplinares, o crescimento dos comitês multidisciplinares não tem mais volta, como você pode perceber.

O pensamento do técnico

Bernardinho não deixou de ser técnico para se dedicar ao varejo, atualmente ele mora na França onde é o técnico da seleção do país, entretanto, reforço que a atuação do técnico no varejo é mais seus pensamentos e conhecimentos da competição do que qualquer outro ponto.

“Quando você tem uma equipe de seis, dez ou quinze pessoas e trabalha junto, exercita a cultura diariamente. Mas, quando tem milhares de pessoas, como mantém uma cultura forte?Esse é um dilema, crescimento e cultura, entendendo que gente é o principal.”, segundo Bernardinho

Outra coisa, para trazer para o seu comitê de marca, não traga um qualquer por causa de mídia. Anitta, independente do seu gosto pela música dela ou não é preciso ver o lado empreendedor dela. Eu como um amante de Queen, Pink Floyd, Metallica, Kiss, Legião, Seal não sou um fã da música dela, mas respeito quem goste.

Queen

Bernardinho vai por essa linha. Ele não é um esportista que caiu de para-quedas no mundo empresarial. Entre seus investimentos estão a edtech Eduk, a empresa de alimentação Haru’s, a de plant based NoMoo, a de entretenimento Final Level, a rede de academias BodyTech e os restaurantes Delírio Tropical.

Ele também esta na loja online Na MadeiraMadeira, onde faz um trabalho de cultura e recrutamento das posições-chave da companhia e na Stone onde Bernardinho coordenou a fase final do Recruta Stone, um programa que avaliou mais de 70 mil jovens e, deste total, apenas três foram contratados.

Definitivamente ele não é um paraquedista na área e sua seleção tem a ver com os seus valores e com os da Arezzo&Co, fundamental para o sucesso de qualquer parceria, por isso, tenha em mente que o crescimento dos comitês multidisciplinares é inevitável, mas é preciso ser estratégico para fazer isso acontecer.

Comitê X Embaixador

Ele tem uma visão empresarial e não é apenas uma pessoa midiática que está assumindo um cargo porque a marca quer exposição na mídia, o que pode ser até uma estratégia, mas ai seria muito mais embaixador de marca do que uma pessoa para um comitê de marcas, ao meu ver.

Não há nada contra chamar um Neymar, Juliana Paes, Angélica, Michel Teló para ser embaixador da marca, nada mesmo, pois eles atraem uma multidão aos canais digitais da marca, e uma boa estratégia de marketing transforma essa audiência em clientes, sem dúvida, mas é preciso separar bem os dois.

Ter uma pessoa no comitê que vai ser o embaixador ou vice e versa não tem uma grande perspectiva de sucesso, assim como, trazer uma celebridade que nada tenha a ver com a marca, é outro tiro no pé. O crescimento dos comitês multidisciplinares não é trazer amigos ou um monte de celebridades para dentro de uma sala para bater papo.

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O crescimento dos comitês multidisciplinares

Pense nos pilares, que defendemos na FM CONSULTORIA, chamados 5Ps de Branding: qual seu propósito? Qual percepção você quer que as pessoas tenham da sua marca? Qual a sua promessa? Quem é seu público? Qual seu posicionamento? Se quiser saber mais sobre essa metodologia, leia o livro Planejamento de Marca no Ambiente Digital (DVS Editora).

Com isso mapeado, e temos outra metodologia, a Brand Canvas que ajuda demais nesse mapa, você pode fazer uma lista de pessoas que se enquadram com tudo isso, seu valores, sua missão, seu posicionamento, em resumo o DNA do(a) convidado(a) tem que ter o mesmo DNA da sua marca.

Pense nisso antes de ver quantos seguidores se tem no Instagram

Felipe Morais
Felipe Morais
Publicitário, apaixonado por planejamento digital. Começou a carreira, em 2001, atuando como redator publicitário, passando, em 2003 para a área de planejamento digital, onde atua até hoje, sendo reconhecido como um dos grandes nomes do mercado no Brasil.

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